Onde me encontro

Acabei de chegar de um passeio, fui correndo, voltei andando. Há muito tempo não corria sem meus fones de ouvido, sem os hits dos anos 90 me protegendo dos meus próprios pensamentos. Pois hoje pensei novamente.

Comecei a correr, de verdade, em 2013, para fugir das inseguranças que um término de namoro unilateral acende em nós. Sabia do que estava correndo, mas não sabia para onde. E foi fundamental. No mesmo ritmo que suava, eu compreendia melhor meus gostos, minhas saudades, meus valores, meus objetivos. E desde então corri.

Talvez por isso eu não limito minha corrida a tempo ou distâncias, pois é esta atemporalidade que me permite mergulhar em mim mesmo. Não quero chegar a qualquer lugar, ultrapassar limites ou completar alguma prova. Quero correr e pensar livremente.

Ao mesmo tempo que metas nos motivam, elas também se escalonam em processos cíclicos de insatisfação, em que nossas conquistas nunca são o bastante. E disso já estamos cheios em nossas vidas. Minhas corridas não terminam, são separadas por vírgulas no livro que escrevo em minha mente.

Revisito momentos, dialogo com pessoas, faço duras críticas ao meu comportamento, planejo e sonho. Sonho muito. É o instante em que posso viver os meus maiores delírios e me afastar dos piores medos. É o melhor momento de mim mesmo, de pura transformação e satisfação. Ali estão comigo as melhores coisas que ouvi, os mais puros sentimentos que senti, as coisas mais lindas que observei, e a certeza de que, para voltar neste instante, basta correr. De novo.

Andre Farkas para Pitanga em Pé de Amora. Pontes para Si.