Nick Hornby entre a paixão e a vida lá fora

Rose Byrne e Ethan Hawke, casal improvável em Juliet, Naked

Desde que fiquei sabendo que Juliet, Naked seria lançado em 2018, já marquei como um dos filmes que trataria como prioridade esse ano. Assisti no domingo e só agora encontrei um tempinho para escrever sobre. Perdão. (Mentira, vocês nem ligam).

Sou fascinado pelo Nick Hornby, é meu escritor favorito, e seus livros costumam render bons filmes (alguns, julgo até excelentes. Um Grande Garoto, Febre de Bola… para não falar de Alta Fidelidade, obra-prima). Admiro no autor duas características em especial: a paixão como fio que faz a ligação entre toda sua obra e como ele consegue tratar da complexabilidade de relações pessoais sem santificar nem demonizar ninguém. São marcas constantes em suas histórias… pessoas imperfeitas que, para sobreviver, buscam refúgio no dinheiro, no futebol, na traiçoeira ideia de superioridade intelectual, na arte, etc. Costumeiramente, isso tudo é insuficiente e elas precisam confrontar do que o mundo é realmente feito: pessoas e relações. De início, é um filme que parece embarcar em uma jornada musical a lá Alta Fidelidade, mas logo já começa a perscrutar um relacionamento onde o casal de namorados claramente se gosta, mas que também não consegue mais estabelecer qualquer sintonia, até que não exista mais nenhum interesse em comum entre os dois… E a vida segue.

Juliet é uma diversão honesta que encontra alvo certeiro e conforta o público já habituado com Nick Hornby. Não que se trate de nada heterodoxo, a vida real de gente levada por paixões é seu habitat natural. Acontece que este escriba, em pessoal, crê que os temas centrais do filme — a devoção por uma obra musical (que no fim das contas nem é tão especial assim) e as conexões pessoais são fins difíceis de explicar e impossíveis de se ensinar. Vale pontuar que enquanto assistia ao filme, me lembrava constantemente de um ensinamento de Nelson Rodrigues: sem paixão, não dá nem pra chupar um picolé.