A fé que move a razão.


“Acho sua falta de fé — preocupante.” — Darth Vader.

Um dia aprendi que, se quisesse ser alguém na vida, teria de abandonar qualquer impulso religioso. O primeiro passo para me tornar independente, livre e aberto a entender o mundo era aceitar que a ideia de algo que fosse transcendente era no mínimo impossível e, bem, eu tentei, tentei mesmo largar minha fé e ser racional, mas, no fim, tudo o que descobri é que ser racional é ter mais fé do que normalmente dizem.

Declarar-se abertamente religioso em um mundo tão secularizado, não é uma tarefa fácil. A relação que se faz entre fé e razão é de total antagonismo, mas se começarmos a tratar sobre o que de fato é a razão, é notável que ela é fundamentada em um conjunto de crenças que, me arriscaria a dizer, são inerentes ao homem.

Acho que minha jornada rumo ao agnosticismo começou quando li O Código Da Vinci, um ótimo romance e agora sei que não passa disso. Todas as teorias conspiratórias propostas pelo livro, os evangelhos apócrifos, o “verdadeiro Graal”, tudo me parecia tão intrigante, afinal nunca havia escutado nada sobre aquele tipo de coisa e tinha um tipo de convicção em mim que dizia “tudo que te ensinaram deve estar errado!”. Hoje consigo entender que tudo o que estava fazendo era tentar trocar a minha fé de lugar, em vez de acreditar em um Deus transcendente acreditava em tudo que me afastava dessa ideia.

Dizer que é possível viver sem fé é em si uma grande falácia, pois você acredita com todas as suas forças que é possível viver sem fé mesmo não tendo explicações empíricas para isso, logo você acaba de ter fé que é possível viver sem fé. Bem vindo ao limbo da lógica.

Você poderia dizer “que não tem fé, apenas confia nas leis da natureza que se mostraram estáveis e tendem a permanecer assim”, mas isso não passa de uma crença na teoria de que a natureza continuará a agir “naturalmente”, o passado não reflete perfeitamente o futuro. Logicamente falando, nada impede que toda a água contida em seu corpo comece a ferver misteriosamente nesse exato momento, afinal, mesmo que você acredite que isso não vá acontecer, as observações feitas até agora te dão apenas uma ideia do que vai acontecer, nunca a certeza.

Já ouvi diversas vezes pessoas dizendo “crer em algo além do natural é fugir da realidade”,como uma pessoa que se diz sem fé pode definir um conceito como realidade? Como se constrói um pensamento tão abstrato empiricamente falando? Ser cético é uma dádiva, ser teimoso a ponto de desprezar o fato de que a natureza é um livro perfeito escrito por Deus e não pelo acaso é no mínimo ignorância.¹

Não estou dizendo que você deve deixar imediatamente sua cosmovisão e se converter ao cristianismo, pois não acredito que seja capaz de te convencer a isso. O que te peço, meu caro leitor ateu, é que reconsidere a forma como você enxerga isso que você acredita ser a realidade, de uma forma que você acredita ser mais inteligente, porque existem crenças que nos mantêm em algum nível sãos. O vazio absoluto criado pela completa falta de fé é apenas uma crença que não acho que seja possível de ser alcançada.

E no final todos não passamos de poeira cósmica não é mesmo? Pelo menos é nisso que você acredita…

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