A secularização do evangelismo

Gabriel Carneiro.
Feb 25, 2017 · 3 min read

O evangelismo moderno se resume em criar um ambiente extravagante para chamar a atenção das pessoas, entretê-las por algum tempo e ao final enfiar por goela abaixo uma “oração de entrega” e então considerar todas aquelas pessoas que foram quase que coagidas a repetir meia duzia de palavras como “convertidas”. Esse tipo de prática “evangelística” não poderia estar mais afastada dos ensinamentos e costumes que observamos na Bíblia.

Ao ouvir isso, disse-lhe Jesus: “Falta-lhe ainda uma coisa. Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”.
Ouvindo isso, ele ficou triste, porque era muito rico.
Lucas 18:22,23

O evangelho é sobre negação, é sobre abandonar uma vida devassa e de pecados e seguir a Cristo. A passagem acima é um ótimo exemplo de como o próprio Cristo chamava as pessoas a o seguirem. Quando Jesus chamou aquele homem rico a se arrepender, Cristo sabia exatamente aquilo que atrairia aquele jovem, mas escolheu enfrenta-lo e não moldar a sua mensagem a alguma caricatura que encantaria aquele jovem. O jovem ficou entristecido com aquilo que lhe foi dito.

Esses eventos pragmáticos de evangelização tentam atrair o pecador a Cristo de maneiras naturais, ignorando totalmente a ação do Espírito Santo e o papel do crente no processo de anunciação da palavra. Quando pregamos o evangelho não o fazemos para convencer os ímpios, mas por gratidão e obediência a ordem dada por Jesus, pois não temos o poder de convencer as pessoas sobre seu pecado, este é o papel do Espírito Santo (Jo 1:12,13). É Ele quem convence o pecador, somos apenas meros instrumentos, totalmente dispensáveis. Nosso papel não é atrair multidões, é pregar o evangelho de Cristo como nos foi apresentado.

Outro ponto importante que é ignorado por estes grandes eventos é que evangelizar é um processo muito mais longo do que trinta minutos de shows pirotécnicos que culminam em um “apelo”, é um processo muito mais intimo de acompanhamento e discipulado, como Jesus fez com seus discípulos.

A raiz do problema não são os grandes eventos evangelísticos, eles são apenas um dos sintomas de uma igreja pobre da sã doutrina. As pessoas não têm valorizado o estudo profundo e sincero da palavra, pois estão hipnotizados com a ideia de que ser cristão é sobre “sentir a Deus” de alguma maneira sobrenatural. Deus fala ao coração dos crentes diariamente através da Bíblia, tudo o que nos devia ser revelado está entre Gênesis e Apocalipse.

As igrejas têm se importado apenas com números, procurando crescer de maneira pragmática, sem se importar com a vida espiritual de seus membros. Isso tem criado templos lotados de pessoas vazias. Se um evento nos moldes de festas carnais e seculares foi necessário para atrair um jovem a igreja, apenas eventos desse tipo o farão permanecer, pois ele não é de fato um cristão.

Quando o evangelho atinge de maneira irresistível um pecador ele deixa de ser escravo do pecado e se torna escravo da justiça (Rm 6:18), não há nada que seu coração anseie mais do que agradar seu Mestre (Jo 10:14–18, Rm 8:15–17). Mesmo que sejamos afligidos por todo tipo de mal, como foram os cristãos antes de nós, temos prazer em anunciar de quem somos posse, pois é Cristo que nos dá forças para continuarmos nossa jornada na fé (Rm 8:28–39).

É necessário que as igrejas voltem ao evangelho puro, abandonem métodos carnais para encherem igrejas e se esforcem no crescimento espiritual de seus membros, para que esse tipo de prática não volte ao meio cristão.

Preguemos o evangelho, e apenas o evangelho.

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