Nova dose

Acordei com o Sol batendo forte no meu quarto, respingando alguns raios na minha face. Minhas pálpebras abriram lentamente e minha boca parecia dormente. Peguei no sono sorrindo.

Enquanto me espreguiçava na cama, passava a mão por onde ela dormiu. Apertava o travesseiro e sentia seu cheiro, uma mistura forte de cigarro e perfume. Além das fragrâncias artificiais, ainda sentia a colcha molhada de suor, com o aroma mais puro de todos.

De um jeito meio bobo, levantei, lavei o rosto e me alonguei. Me lembrei de nossas conversas no dia anterior, dos seus sorrisos e olhares profundos. As doses que bebemos, as cervejas, minha iniciativa em beijá-la e nossos abraços carinhosos, como se fôssemos duas almas que já se conheciam há séculos.

Hoje, acordei diferente. Me senti vivo de novo. A cada vez que meu coração sai do estado de prostração, eu recebo uma nova dose de vontade de viver. Sou completamente viciado em amar. Que a overdose, ou a abstinência, não me matem, por favor.