Pobre poeta

Por vezes, eu acho que posso reconquistá-la através de palavras. Não quaiquer palavras, mas MINHAS palavras.

Determinado, vasculho meus livros em busca de inspiração. Baseado em quem poderei reaver seu coração?

Já sei! Vou de Clarice. Falar de sentimentos, momentos, devaneios…É bem a sua cara, talvez tenha acertado em cheio!

Se não for suficiente, me aventuro por Gabo. Serei poético, mas sem pedantismo: te descreverei com informalidade, aliada a uma certa dose de romantismo.

Não, ainda não está bom… Quem sabe Machado de Assis? Caminho pela ironia, enriqueço o vocabulário e tento te fazer feliz.

Mas você nunca foi chegada nessa suntuosidade literária… Melhor tentar Simone De Beauvoir! Sim, feminista, protagonista, dona de si e de suas conquistas. Mais uma para a lista!

Lá pelas tantas, evoco Fernando Sabino. Imagino você descontraída, lendo e sorrindo. Melhor que ele, só a habilidade de Rubem Braga! Aí, penso em como ficaria contente, quase extasiada.

Chega de me espelhar, chegou a hora de começar a escrever. Porém, quando a caneta encosta no papel, a epifania da verdade me bate com vontade. Não depende de mim! Nunca dependeu…

E esse é o mau do escritor: acredita piamente em seu talento, com fervor! Como se pudesse acabar com a fome da África ou descobrir a cura do Câncer. Só se esquece que, para conquistar uma mulher, não bastam algumas orações bem concatenadas. Muito menos poesias mal rimadas.

O feedback do amor é necessário e ele, infelizmente, não combina com o isolamento literário. Triste do poeta que pensa ser gênio, mas se descobre apenas mais um otário…