900: Diários de um casperiano

Gabriel Chilio Jordão
Nov 7 · 2 min read

No solitário corrimão, ao lado do poderoso e imponente escadão,

ele está lá.

Sozinho, ele observa,

Conforme a fumaça dos cigarros sobre, também sobe a sua cabeça.

E ela para lá nas nuvens.

Sozinho, em diálogo com ninguém além de si mesmo, ele pensa.

Pensa naqueles divertidos diálogos que ouve, mesmo sem participar.

Jovens, todos eles.

Esquecem por alguns poucos minutos a discórdia que se tornou suas vidas.

Um momento de conexão.

Laços.

Mágicos, esses poucos minutos são.

Todos parecem entretidos com suas companhias.

E ele observa, sozinho.

Deixa-se ser absorvido pela atmosfera.

Tem certeza de que aquilo é um mundo particular, uma realidade que apenas quem naquela atmosfera está sente.

Vendo os outros e outras acompanhados, por vezes amorosamente, ele inevitavelmente pensa Nela.

Ela, insuperável a seus olhos.

Ela, cujo sorriso ilumina toda escuridão que ainda existe.

Ela, um oceano em meio às ondas.

Sozinho, com ela sempre presente em seus pensamentos, ele pensa sobre o que pode um dia ser.

Ele passava por aquela situação todos os dias, mas nunca parou.

Nunca parou para ver, para sentir a magia daqueles poucos metros.

Metros que respiram história, arte, poesia, beleza, tudo.

A gelada brisa movimenta seus cabelos.

Mesmo acordado, está em outro estado de consciência.

Vê nitidamente a poesia sendo formada diante de seus olhos.

Sem tempo para nada,

na sociedade da pressa,

o jovem tomou uma simples decisão.

Ele parou. E sentiu.

Sentiu a música tocar em seus ouvidos, mesmo na total ausência de instrumentos.

Transcendendo a realidade, sentiu a magia percorrer seus fios de cabelo.

Sozinho, desconexo das histórias sendo contadas ao seu redor, ele entende.

Aquilo, para ele algo tão intrínseco à sua rotina,

aquilo é belo. Doce como o sorriso Dela.

Aquilo é arte. Impossível de ser pintada ou retratada.

Aquilo é vida. E aquilo que ele faz, naquela fria noite de quarta,

aquilo é viver.

A vida e a arte em seu estado mais puro.

O escadão e o corrimão jamais seriam os mesmos.

    Gabriel Chilio Jordão

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