Brasil, Amigo Inimigo ou Problema?

Amigo, inimigo ou problema? Neste contexto constava o Brasil, nos relatórios da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) , vazados por Edward Snowden em Julho de 2013.

Mas como poderia o Brasil, ser a pedra do sapato do todo poderoso império americano?

Durante a década de 1950, o Brasil mostrava altas taxas de crescimento econômico, do fim da Era Vargas, ao período desenvolvimentista de JK. O Brasil passava pelos seus anos dourados, e aumentava sua importância no espaço mundial e firmava-se no seu papel de liderança na América Latina.

Em 1961, Jânio Quadros sobe ao poder, e adota uma política externa independente, se afastando da esfera de influência americana, e se aproximando dos países socialistas. Isso se deu pela retomada das relações diplomáticas com a URSS, além de enviar seu vice, João Goulart a uma missão diplomática a China.

Essas medidas, foram encaradas pelo governo norte americano, como “ameaças comunistas”. Traumatizados após a revolução cubana, e com sua Liderança no continente americano em Xeque, a CIA, agência de Inteligência Norte Americana, apoiou golpes de estado, e a regimes militares em toda a América Latina.

Foram evidentes as relações entre os golpes militares e os interesses do capitalismo norte-americano, porém boa parte da população latino-americana, também acreditava que era necessário um governo forte, comandada pelo poderio dos militares, para que a defesa estivesse segura das ameaças comunistas.

E em contexto semelhante, nos encontramos novamente em pleno século XXI.

Após o fim da guerra fria, e da bipolaridade política no mundo, os Estados Unidos se firmaram como potência única e hegemônica no mundo. Mas novamente, se encontram ameaçados. Surgem nos países de economia emergente, os BRICS, um novo mundo multipolar. Estes países apresentavam grandes taxas de crescimento social e econômico, e futuros promissores. Um grupo que foi criado por um economista britânico inicialmente para se referir aos países emergentes, tornou-se uma sólida aliança econômica, comercial, militar e tecnológica.

Dentre estes, a China, país autodenominado comunista, que promete superar a economia americana dentro de poucos anos.

Estes cinco países, juntos, cada vez mais, tem lançado ofensivas ao modelo de imperialismo norte americano, buscando uma nova forma de governança global.

Essas ofensivas, buscam cada vez mais neutralizar a influencia norte americana no mundo, como a criação do Banco dos BRICS, a qual o Brasil teve um papel fundamental nas negociações. Este novo banco promete concorrer com o FMI e o Banco Mundial, instituições com forte influência do governo estadunidense.

Também foram negociados a construção de um sistema de comunicação inter-atlântica, com quase 6 mil Km. de fibra óptica, quebrando o monopólio americano.

Reações? Com toda a certeza a OTAN não seria apenas um mero observador. Mas desde a queda da União soviética, os Estados Unidos aprenderam que há uma forma mais eficiente de guerra do que a militar: O uso de seu poder econômico.

A recente queda no preço do petróleo, ocorrida por políticas da Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, as recentes políticas do FED, banco central norte americano, curiosamente tiveram efeitos catastróficos, nas economias dos principais países considerados hostis pela OTAN. A Rússia, que enfrentava os interesses da União Europeia sobre a Ucrânia, produtora de petróleo, teve em sua moeda, o Rublo, uma desvalorização Recorde, o Irã, e a Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo no mundo, também estão enfrentando grandes dificuldades.

E enfim o Brasil, que também teve um papel fundamental nas negociações para criação do banco dos BRICS, desafiou os Estados Unidos após o escândalo de espionagem, e contrariou os interesses das grandes petroleiras sobre os leilões do pré sal.

Não livres dos efeitos da guerra cambial, com o real tendo uma forte desvalorização ante o dólar, assim como as demais moedas do mundo, a Petrobrás também sofrendo fortemente as consequências do alto custo da exploração na camada do pré sal e da baixa do preço do barril do petróleo, ainda temos movimentos internos separatistas e de forte oposição a um governo popular, que foi eleito com três meses de seu novo mandato.

Somado a crise institucional que o governo vem sofrendo, e o desgaste político, está se criando o ambiente caótico onde o mercado financeiro e o poder econômico vão ditar os próximos passos. Assim como tem feito por pressões e as novas políticas econômicas adotadas pelo governo de Dilma Rousseff.

Estaríamos próximos a sofrer um novo golpe de estado?

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