Cumá e Cumá

Cumá nasceu no dia anterior a seu encontro com si mesma. Na verdade não sabe bem se antes ou depois.

Dizem foi carro rápido. Tentou sair da frente, mas as pernas não foram tão rápidas. A cabeça no meio fio.

Quando acordou se lembrava de muitas coisas. Mas não ae lembrava do próprio nome. Quando acordou se lembrava do aniversário de 26 anos, mas não ressaca do dia seguinte.

O pai diz: os médicos não sabem o que fazer. Isso nunca aconteceu antes. A psiquiatra diz: bem, você parece ter esquecido tudo de ruim que já te aconteceu. A irmã: isso não é bom?

Dizem seu nome era Helena. Por algum motivo não se lembra dele. Bonito nome, nada discrepante. Por que não se lembra?

Não se lembra porque se chama Cumá. Só sabe que o nome impregnou na mente. Ouve as duas sílabas incessantes até quando dorme. Cumá, Cumá…

Quem é essa tal?

A primeira vez que olhou no espelho, ficou feliz em descobrir que seus olhos eram castanhos.

A primeira vez que abriu a janela, conheceu o Sol. Tão magnífico. Se odeia por tê-lo esquecido. “O que será pode ter ele feito contra mim?”

Cumá… a mulher que não sabe o que é sofrer, porque não se lembra de ter sofrido alguma vez na vida. A mulher que não sabe se é viva, pois não sabe o que é a morte.

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