Até Aqui

Entra. Fecha a porta. Tira a roupa.

Não, tira a roupa toda. Essa roupinha de menina inocente também. Quero você inteira, com todos os ascendentes, Júpiteres, Vênus, e qualquer coisa que seu mapa astral mandar.

Vem aqui, senta do meu lado e puxa esse edredom que me cobre. Está vendo? Também estou nu. Tirei aquela roupa de jovem empreendedor altamente criativo. Ela está ali no banheiro, sendo lavada, esperando por outra cabeça jovem cheia de ideias, alguém que faça um bom uso.

Isso, tire a sua, deixe por ai, no chão. Eu só quero que você sente aqui, vamos bater um papo, quero que você entenda a gravidade da situação. É A PORRA DO FIM DO (nosso) MUNDO!

Agora sim. Estamos nus, rolando pela cama, transando pela última vez. Daqui a pouco toda a excitação vai virar uma conversa sobre o Golpe de Temer, as decepções cinematográficas de 2016, e o filme novo do Woody Allen. Tudo regado àquela cerveja artesanal de chocolate que você gostou, e ao meu cigarro de filtro vermelho.

É o fim perfeito.

O dia amanhece, a gente cata nossas roupas pela última vez.

A caminho do trabalho, naquele cruzamento, um ônibus perdeu os freios

Acertou o nosso carro vermelho.


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Valeu! ☺

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