Já latiu hoje?

Andando pelo centro da cidade ouvi aquele latido um tanto alto e totalmente deslocado.

Um cachorro por ali latindo?” pensei.

Alguns passos mais a frente, vejo um homem de lá seus 40 anos, pedalando e a cada aglomeração de 3 ou 4 caminhantes, a figura soltava a puros pulmões o tal latido animalesco impressionantemente semelhante.

Do outro lado da rua, soltei aquela risada envergonhada entre os dentes e continue.

Parti dali vendo inúmeras pessoas cumprimentando o “latidor” — assim o nomeei, pelo menos no meu universo — comentando e até tentando imita-lo.

Confesso que está longe de ser a primeira vez que o vejo e percebo sua fama envolvida no cotidiano da cidade.

Me flagrei pensando como Latidor criara uma identidade tão forte e marcante. Uma habilidade bem desenvolvida — creio eu, no alto de meus conhecimentos de latidos caninos. Marca quase que registrada daquela figura.

Mas e nossas marcas frente ao Latidor? Somos lembrados por nossas habilidades, trabalhos ou alguma característica? Exercemos magistralmente bem aquilo que nos propomos a fazer?

Mesmo que ainda não tenhamos as aptidões que queremos, mas e nosso trabalho duro para atingi-las? Praticar? Tentar, quem sabe?

Você deve estar falando muito e latindo pouco.