O atravessador

Mayra já chegou espalhando pro mundo: “Ah, não! Preciso ganhar algum dinheiro com isso, gente. Não é possível! Avisa pra eles que eu to vendendo a camisa!”

Talvez saber que nosso chefe conseguiu 150 reais no relógio das olimpíadas tenha sido demais pra ela processar e assim ficou o dia inteiro. Lá por volta das sete da noite, quando nos preparávamos pra jantar, desembarcaram três americanos e cercaram a Mayra. De longe ouvi o “Gabriel me ajuda aqui!”. Os jovens gringos — típicos negros americanos de filmes de basquete — falavam rápido e ao mesmo tempo. Eles queriam saber quanto ela queria na jaqueta/casaco oficial dos voluntários das olimpíadas). Já vi que ia dar uma de atravessador de novo e comecei o desenrolo Brasil x USA.

A princípio Maya não queria vender o casaco — talvez por estar fazendo 16º Celsius e ventando, o que, pros cariocas é o mesmo que estar no Polo Norte — então um dos gringos puxou da mochila um casaco oficial vermelho e perguntou se se ela aceitava trocar, mas pelo visto Mayra não gosta de vermelho e voltamos a estaca zero. Outro dos três tira da mochila um casaco preto da Nike — retomamos as negociações — porém Mayra estava mais implacável que o careca do Trato Feito.

Foi então que sugeri a ela aceitar o casaco da Nike e pedir mais cem reais; pronto, ela aceitou, faltava traduzir isso pros gringos. Quando lancei a proposta ele titubeou. O amigo dele perguntou quanto ele pagou no casaco da Nike — 50 dólares — e mandou: “Fuck do it, man! When do you can do it again?”.

E foi assim que Mayra voltou pra casa com um casaco original da Nike e mais alguns dólares e reais no bolso. Vou começar a cobrar por desenrolo; aceito pagamento em pin. ;)