#1 Aquilo que não te disse

Às vezes eu sinto saudade. Saudade de entrar no teu carro eufórica enquanto colocava uma música no Bluetooth e dizia “você precisa escutar essa, eu tô viciada”. Por falar nisso, enquanto escrevia, o Spotify no aleatório achou por bem colocar pra tocar aquela que sempre ouvíamos juntos. Lembra dela? Saudade daquelas caronas inesperadas que faziam o trânsito caótico do Rio de Janeiro parecer um prato cheio para um bom papo. Sinto uma saudade nostálgica de quando meu humor barato te fazia gargalhar alto onde quer que fosse. Saudade da nossa indecisão mútua pra escolher onde iríamos jantar para, no fim das contas, parar num fast-food no meio da madrugada. Saudade de quando sua tranquilidade parecia amenizar minha ansiedade e de quando seu jeito metódico vivia em perfeita harmonia com a minha desordem. Saudade de fazer planos pra nós com os olhos mais otimistas que já tive e de desejar baixinho te manter no meu presente. Saudade por termos dado certo, pena que no tempo errado. Saudade do que fomos e do que poderíamos ter sido. Saudade de nós. De você restaram alguns traumas e um tanto de saudade. Valorizo a segunda opção para que as boas lembranças — que não foram poucas — acalmem a alma. Espero que você também cuide bem do que ainda há de mim dentro de você. Sinto que te perdi pra sorte, mas te ganhei pra vida.

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