Juras de amor ao subúrbio

O Ministério da Saúde adverte: quem não gosta do subúrbio, bom sujeito não é. Felizes daqueles que puderam passar pelo menos parte da vida no subúrbio. Sei que o conceito dessa palavra é muito abrangente, mas peço licença poética para falar — com propriedade — de Maria da Graça, bairro carioca onde fui criada.
Há quem discorde, mas a infância no subúrbio é uma dádiva. Agradeço ao destino por ter vivido este período no lugar em que vivi. Dei mais sorte ainda porque a minha geração ainda pôde aproveitar os resquícios de uma infância ainda melhor de outrora, vivida pelos meus pais e avós. As ruas que pintávamos durante a Copa do Mundo, eram as mesmas que usávamos para andar de bicicleta, jogar bola e brincar de pique. Nessas aventuras perdíamos tampões de dedo, nos ralávamos e, com a ajuda do mertiolate (o que arde), estávamos prontos para outra.
É bem verdade que agora as coisas estão mudadas e que a realidade é outra. Não se pode bater papo no portão até às tantas da madrugada porque não é seguro. Também não se vê a molecada brincando na rua, mesmo porque os aparatos tecnológicos são a verdadeira bola da vez. Sinto muito por isso.
O subúrbio abraça e acolhe. Sair de casa é sinônimo de parar de cinco em cinco passos para cumprimentar os vizinhos. No subúrbio não tem anônimo: você pode até não saber quem eu sou, mas você certamente conhece alguém que me conhece. Viro a esquina e escuto um “Fala Moniquinha (apelido que herdei por ser parecida com a minha mãe)!”, na outra sou recebida com “Essa é a neta da Dona Marisa e do Seu Nelson”.
O subúrbio ensina. A gente aprende a ser cordial, a ajudar o outro e a ser feliz com que se tem. A simplicidade suburbana é tão rica que cativa a todos que se dão a oportunidade de conhecê-la. Se, depois destas juras de amor, eu ainda não te convenci: um chopp gelado do Bar da Amendoeira certamente vai conseguir.
