Agosto
Esse mês tem sido um mês complicado pra mim, por diversos motivos. Hoje mais um desses motivos bateu na minha cara.
Nesse mesmo mês, em 2015 eu o conheci, desci na estação Ana Rosa e fui descendo as ruazinhas bonitas da Aclimação até chegar no seu prédio, lembro de uma rampinha no portão do prédio e lembro de como era bonitinho, fui te vender algumas bebidas.
Sentei no seu sofá de pallets e você disse “vai ter que tomar essa primeira dose comigo”, tomamos e conversamos por algumas horas. A gente nunca mais se viu, a não ser por essas redes sociais da vida, mas nos falamos mais algumas vezes, não posso dizer que o conhecia de fato, mas esses dias passando pela mesma rua da Aclimação, lembrei dele e hoje por acaso digitei seu nome no Facebook, entrei no seu perfil e descobri que você não esta mais aqui.
Me doeu muito, não me doeu por ser o menino da Aclimação, me doeu pela forma que somos com todo mundo.
Me doeu porque eu sei que um dia as pessoas que eu já considerei especial ou ainda considero, não vão mais estar aqui e talvez eu demore meses pra me dar conta disso, talvez eu não esteja mais aqui e as pessoas que eu amei, nem se vão se dar conta e talvez nós tenhamos que lidar com o descaso do mundo, porque assim que ele é.
O motivo de isso existir foi poder dizer de alguma forma e sempre que possível que eu lembro das pessoas de forma especial, e pra driblar os esquecimentos da rotina.
Mas eu que tenho medo de esquecer alguém ou tenho medo de ser esquecida?