Gabriella Moura
Jul 28, 2017 · 2 min read

Do I wanna Know?

Eu mal tinha 19 anos, andava pela Lins admirando todo o bairro.
Ia seguindo pelo telefone procurando a numeração certa, toquei o interfone e pela primeira vez ouvi tua voz dizendo “sobe”, subo o lote de escadas até o seu andar e dou de cara com você na porta, alto e com uma beleza que não pude identificar naquele momento presente, conversamos por horas, até você colocar ‘Arctic Monkeys — Do I wanna know?’ e o CD rolou todinho.

Não entendo até hoje porque essa escolha, afinal nem é o gênero que ambos gostamos muito, mas eu me lembro em meia luz mal enxergar teu rosto mas só tuas curvas bem próximas das minhas, essa banda nunca foi tão boa como naquele momento, lembro de contar essa história pra mil e uma pessoas como um dos melhores dias. Nos vimos mais uma vez naquele ano.

Na segunda vez que entrei na sua casa, me lembro exatamente dos discos meio espalhados, de um toca discos e da proposta indecente que fiz. Sem explicação alguma eu me sentia confortada pela energia que você me transmitia, poderia ser só carnal, mas não era.

Quase dois anos depois eu o vi e não consegui me aproximar o suficiente pra dizer o quanto pensei em te procurar, depois de tempos de distração comum do dia-a-dia, passamos a primeira, e talvez única noite juntos. Tive um dia horrível e foi assim até o momento em que abri a porta do quarto e o vi deitado. Senti a sensação de estar em casa, estive nua e entregue em seus braços por horas, sem amarras, te ouvindo falar e falar, como se esses dois anos nunca tivessem passado.

Quero sempre ter na memória você dizendo “beijinho no nariz” e beijando todo meu rosto, acariciando minha orelha, enquanto eu deitava no teu peito, se um dia eu não voltar a vê-lo. Quero sempre ter na memória quando eu te disse o quanto gostava de ti. Quero sempre ter na memória esse dia e sempre te ter na memória.

Não se trata de uma história de paixão, se trata de gostar de graça, de carinho que talvez os astros possam explicar, se trata de laços. Espero poder vê-lo nu, com roupa, comendo, dormindo, sorrindo e vivendo, hoje, amanhã ou daqui 2 anos.

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