frio, olhar e manhã

As 7h da manhã é quando o frio acontece. Lavar o rosto na pia do banheiro não é ruim, a água é gelada e tu nem sente, é tudo frio. Sai de casa, sente o vento gelado no rosto, que por sua vez causa um gosto e desgosto; eu gosto tanto desse frio rígido que as vezes não. As 7h e 40 da manhã é quando o bar da esquina da minha casa abre, o prédio é antigo, adesivos de propaganda de telefonia grudados nos azulejos cheios de arabescos. O dono do bar tenta abrir a porta com força e isso me faz pensar que o dia começa, com essa coisa de abrir portas. Atravesso a avenida da cidade e no termômetro os graus são 7, e a primeira pergunta que eu me faço é porquê fez tanto calor na semana que passou, e agora esse frio? Costume do Sul. Chego no posto de saúde pública, me sento na sala de espera e começo a escrever. Uma senhora chega e senta ao meu lado, pergunta se eu irei consultar com clínico, mas eu não escuto, de repente sinto que a mente para e eu pergunto: desculpa, oi? Minha mente e atenção estavam voltadas a estas palavras, a esse texto, a essa poesia que eu escrevera sobre minha manhã de segunda-feira, um tanto quanto fria e poética. Após a consulta, saio e sinto o sol. Vejo mais pessoas, mais carros, mais bicicletas, mais cigarros, e sinto menos frio. Volto pra casa pelo mesmo caminho, vejo o bar que abre as 7h40, olho pros azulejos e rio. Entro em casa, tiro o casaco e os sapatos, paro e penso que o dia apenas começou e tanta coisa já cruzou meus olhos, tanta coisa se foi pensada e por fim, escrita. Se apenas um dia é longo e cheio de episódios, obviamente por um todo, a vida é muito mais. Bom dia.

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