Um dia de Cada Vez #2

Foco — por que ele foge quando precisamos dele?

Foco. Embora seja importante mantê-lo, para quem tem a mente funcionando à milhão, muitas vezes ele é um desafio e tanto.

Muitas vezes inicio uma pesquisa sobre determinado tema e, no meio do caminho, ouço uma música, ou descubro um artigo sobre algo que me interesse e lá se foi toda concentração. O foco vai embora, sai à francesa, sem se despedir. Simplesmente desaparece.

Já aconteceu com você? Pois é, também sofro um pouquinho para aquietar todas as ideias que fervilham ao mesmo tempo na cabeça. Mas aí vem mais uma lição do agora. Percebi que há uma certa tendência à evitar o momento presente e também aquilo que realmente precisa ser feito. Como?

Muitas vezes, antes mesmo de iniciar uma atividade, surgem alguns pensamentos:

“estou com preguiça”

“preciso me inspirar”

“não sei por onde começar”

“esse telefonema inesperado me atrapalhou”

Tudo isso não passa de uma série de desculpas, que desviam minha atenção para outras questões. Essas, inclusive, na maioria das vezes não têm importância no momento. É como se a própria mente ativasse diversos obstáculos para enfrentarmos.

Refletir sobre esses pensamentos e respeitar o próprio tempo de trabalho, principalmente quando se trata de algo relacionado a criação, é muito válido, mas é bom saber distinguir a necessidade de uma pausa de uma desculpa para procrastinar.

E quando essa enxurrada de afirmações negativas aparece, no meu caso, começo uma série de rituais como listar o que tenho que fazer, parar para tomar um chá, ou mexer em uma rede social por uns minutos antes de começar a escrever, por exemplo. Existe uma auto-sabotagem aí, ou seja, aqueles comportamentos repetitivos que fazemos inconscientemente e trazem algum tipo de prejuízo para nossa vida. Isso é mais comum do que pensamos.

Quando começamos a vigiar a mente a todo tempo, somos capazes de perceber quando incluímos essas atitudes de forma automática no dia a dia. Normalmente, quando se trata do foco, não nos damos conta do quanto isso é nocivo para nossa produtividade. Pior: perdemos minutos — ou até mesmo horas — preciosos do nosso tempo e nosso capital intelectual não é bem aproveitado.

Ao invés de simplesmente encararmos o que precisa ser feito (e fazer), muitas vezes permitimos que nossa mente brinque com nossa força de vontade e pregue uma boa peça com sugestões de atitudes que levam ao esquecimento do agora.

O resultado é óbvio. O foco se torna algo difícil de alcançar.

O que pode ser feito, então?

Pratique o foco: escolha uma única coisa para fazer no dia

Há várias formas de aumentar a produtividade e exercitar o foco, como a técnica Pomodoro, por exemplo.

Mas tenho uma sugestão que pode ajudar inicialmente.

Vamos tentar um exercício: por alguns segundos, esqueça as listas gigantes sobre “o que devo fazer hoje”, a seleção de playlist para motivar o trabalho e a posição ideal para se acomodar. Ou seja, pare de inventar atividades que só vão procrastinar o que deve ser feito. Pare tudo e comece do zero.

Simplesmente sente-se, respire fundo e responda a seguinte pergunta: qual é a coisa mais importante que preciso fazer exatamente agora?

Veio uma resposta? Então não deixe ela se dispersar ao anotá-la no topo de uma lista. Não desvie a atenção para outro pensamento, ou ação. Agarre essa ideia com todas forças e execute o que precisa ser feito, pensando que os próximos minutos serão dedicados somente para sua “coisa importante” do dia. Não precisa de muito mais do que isso.

Em pouco tempo tenho certeza que você vai soltar um suspiro de alívio por completar algo que era realmente necessário.

Pode ser que você encontre outro método, ou ainda prefira lidar com os checks na lista de tarefas mesmo. Todo mundo é livre para fazer o que quiser.

O que importa é lembrar: vigie sua mente e perceba se o que está passando por ela no momento é uma desculpa, ou uma solução. Sua resposta é o que pode ajudar a manter o foco e aproveitar ao máximo suas 24 horas.