Um dia de cada vez #6

Profissão

Encontrar a profissão ideal não é uma corrida com prêmio na chegada, mas sim um passeio constante por novos aprendizados, sempre com a possibilidade de fazer uma curva e mudar o destino.

É difícil escolher uma profissão. Tem gente que nasce sabendo o que deseja fazer o resto da vida. E tem vida que sabe mostrar que o caminho talvez não seja bem esse, ou aquele.

Tem quem tente uma, duas, três faculdades e depois ainda parta para cursos técnicos até achar algo que realmente encaixe as peças e monte o quebra-cabeça. E tem aqueles que simplesmente vivem e abraçam as mais diferentes oportunidades no meio do trajeto.

Certa vez conheci um garoto alemão que se mostrou bastante indignado ao saber que no Brasil é muito comum que aos 17, 18 anos já seja possível ingressar em um curso de graduação. Ele ficou mais perplexo ainda ao ouvir que os próprios jovens concordam com essa ideia e a maioria se joga de cabeça.

É compreensível tamanho espanto. Você consegue dizer quantas ‘profissões’ experimentou nas brincadeiras da infância? Mãe, vou ser artista. Pai, vou ser jogador de futebol. Olha o que sei fazer na bateria, tia! Sou a melhor da sala em português, vou ser escritora.

E nesse fase praticamente todos nós embarcamos no mesmo trenzinho da alegria que corria frenético em direção ao “sua profissão vai definir quem você é na vida”. Até que o trem descarrilou, lá pelos 20 anos de idade. Aí você desembarca atordoado, olha para o lado e não reconhece mais seus colegas. Olha para frente e não entende quem está ali no espelho, mesmo que esteja usando jaleco branco.

Não demora muito para vir o pensamento: “Agora é a hora de decidir se fico, ou parto para outra. Agora é que vou decidir meu destino”. Santa inocência. O ser humano quer tudo definido, direto e reto. Tem que optar por algo que dure para sempre, que seja estável, sem lembrar que estabilidade também significa permanência. Quem quer permanecer, quando a vida é puro movimento?

Bem, alguns permanecem onde estão porque é seguro. Outros enxergam solução no surpreendente, e é por sempre desbravarem o novo que se sentem em segurança. E nas duas alternativas há tropeços, erros e acertos, desvios de rotas.

Com o passar do tempo, nos livramos de todas as regras criadas na sociedade como parâmetros para dizer quem somos. Porque a verdade é ser exatamente quem somos e ponto. Não nos definimos pelo trabalho que executamos, pelas roupas que vestimos, ou porque falaram que tem que ser assim.

Aliás, nós não nos definimos. Apenas somos. E dentro dessa afirmação cabe uma infinidade de habilidades e gostos, que servem para inúmeras profissões. Tem que sentir e ouvir o que fala mais alto.

Pois é, não é fácil escolher uma profissão. Porque uma só é muito pouco.