Como a imprensa esportiva acabou com a carreira do goleiro Muralha
Gustavo Lustosa
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Os problemas éticos gravíssimos apontados no texto tem, a meu ver, íntima relação com a dicotomia jornalismo x entretenimento, aplicada especificamente ao jornalismo esportivo. É regra: todo programa ou publicação esportiva traz consigo uma veia mais despojada. Se isso é positivo por aproximar ainda mais o público de um esporte considerado paixão nacional, por outro lado é danoso por não privilegiar a isenção jornalística. Até porque muitas figuras egressas do futebol acabam adentrando o meio.

Um exemplo até mesmo óbvio: o programa de TV Os Donos da Bola, da Band, em São Paulo é capitaneado pelo ex-jogador Neto, e tem em sua bancada nomes como Velloso, Ronaldo Giovanelli e Dirceu Maravilha, todos ex-jogadores. Por mais que a visão deles possa ser válida para discussões acerca do futebol, não há uma veia jornalística real, apenas uma mesa redonda que invariavelmente é palco de discussões acaloradas e desabafos. E isso não tem nada a ver com jornalismo.

No lamentável caso do goleiro Muralha, vemos que esse problema não é exclusivo da televisão. Julgo até que deva ser pior na internet, com a quantidade de memes e derivados. A atitude do jornal Extra só confirma que a divisão jornalismo e entretenimento foi abolida do jornalismo esportivo há tempos, infelizmente. Tomara que Muralha dê a volta por cima.

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