VERde.

Quando você permite que o sol entre
quando você aceita a chuva
tem muito haver com você se aceitar;
Abrir um livro
regar as plantas
arrumar a casa e organizar a bagunça que anos você jogou para debaixo do tapete;
Saber dizer não
e acima de qualquer coisa dizer o que sente
Tirar o peso das costas que nem é seu, e talvez nunca tenha sido
E assim as coisas acontecem, boas ou não, resultado da liberdade que você se permite ter em todas as situações.
O óculos esconde as marcas que não conseguem mais segurar um olhar que outra hora era brilhante
mas que hoje desaba em solidão, por em alguns momentos não ter com quem desabafar;
O caminho da estrada de chão batido é o mesmo.
A poeira que se forma de cada história muda incontáveis vezes;
No reflexo do espelho o rosto dela me pede que fique.
E eu não sei se falho por demorar tanto tempo a dar algum passo que me faça amadurecer
ou se falho por não ficar, mesmo com aqueles olhos azul esverdeados me pedindo que fique;
Quando o sol é forte e as paredes brancas de uma fé que nasceu do medo a cercam, ela canta!
E o verde se esconde nas pálpebras fechadas
que pedem sempre algo que está do lado de fora da porta
bastaria ela querer enxergar.
E ela tem tudo de lindo que me falta, e eu, tudo de lindo que falta nela. Mas não nos completamos feito quebra cabeça. Somos grandezas inversamente proporcionais sem resultado certo.
A matemática nem sempre é exata. Nosso amor é.
E o mesmo olhar verde, puro e cheio de sonhos, que nunca saíram do papel, me espera nas infinitas vezes que decido regressar.
Ela é tudo de melhor que pode ser com o pouco dela que é.
Talvez ela seja mais eu do que ela mesma.
Talvez pra ela baste arrumar a cama
ensinar sobre arcas
estrelas de Moisés
e a fogueira de Nabucodonosor.
Acredito que ser abrigo é o que ela precisa
e de certa forma é sempre bom saber que por trás de toda a casca de fragilidade há uma mulher que sempre terá o melhor abraço do mundo quando tudo desabar.
