Profissão e paixão: A mulher que se redescobriu ajudando as mulheres

Texto Gabrielle Russi


Após sete anos trabalhando na área de administração do instituto Lactec, Paula Negreli foi mandada embora e se viu em um momento de redescoberta, querendo trocar o rumo da sua carreira e fazer algo que lhe desse prazer. Sempre gostou de moda, acompanhava blogs e gostava de ajudar as pessoas próximas com conselhos sobre estilo. Então, quando precisou decidir por uma nova profissão, recorreu a sua paixão e fez um curso de consultoria de imagem no Senac Paraná.

Sua demissão foi um mote para se redescobrir. Nunca decidiu pela administração: após desistir da faculdade de Jornalismo, por motivos financeiros, sentia que precisava estudar e a Administração era o curso que considerava com uma maior abertura de possibilidades. Começou a estagiar na área e em poucos meses foi contratada.

Paula considera que suas promoções nunca foram escolhas suas, eram sempre oportunidades de ganhar mais e crescer dentro da empresa e, por isso, sempre acabava aceitando as propostas oferecidas. Porém, sua carreira não a fazia feliz e descobriu que não era aquilo que gostava. Isso contribuiu para entrar em um processo depressivo e ela já não se dedicava tanto, não estava se dando bem com os colegas. Para ela, isso deve ter ficado visível e, provavelmente, foi o motivo de sua demissão.

“Quando fui mandada embora, sabia que não queria voltar para um escritório. Estava infeliz com a minha escolha de profissão. Fazia muitos anos que queria fazer o curso de consultoria de imagem, mas como tinha meu trabalho, não fazia sentido começar um curso que não acrescentasse nada para a carreira na qual estava. Então, quando não sabia para onde ir, que caminho seguir, fui fazer o curso despretensiosamente e me apaixonei.”

Quando começou nessa carreira pensou em trabalhar com executivos, pelo conhecimento que já tinha na área. Mas viu que sua verdadeira vocação estava em trabalhar com mulheres. “Eu passei por uma depressão, causada por um acumulo de diversos fatores, e isso desencadeou em mim baixa autoestima e necessidade de aprovação. Eu consegui superar. Mas, por já ter passado por essa fase, decidi conciliar minha profissão com a vontade de ajudar mulheres que estão passando por alguma transição e precisam resgatar sua autoestima.”

Para seu namorado André Chicoski a carreira de Paula é reflexo de sua personalidade, pois ela sempre foi muito ligada com moda, gosta de ajudar as pessoas e busca defender as causas feministas. Para ele, sua escolha de trabalhar com mulheres vem muito disso e é algo que ela definiu desde o início de carreira. “Quando ela decidiu fazer o curso, eu vi que era a cara dela. A Paula decidiu mudar seu ramo profissional e fazer isso movida à paixão, escolhendo algo que a fizesse feliz. E hoje sei que ela gosta do que faz. Vejo alegria em seus olhos”, conta.

O tratamento para depressão de Paula foi feito com psiquiatria e psicologia voltados ao feminino e, com isso, ela aprendeu a se aceitar, principalmente em questões corporais, e se valorizar mais. “Eu queria proporcionar isso a mais mulheres. É muito comum eu ser procurada por uma cliente que não está satisfeita com seu corpo. Procuro sempre reforçar a ideia de que todo corpo é maravilhoso, é o que elas precisam ouvir nesse momento”.

A consultoria de imagem abrange muito mais do que o “certo e errado da moda”, ela aborda a psicologia, a antropologia e um estudo aprofundado do perfil de cada cliente. “Com a minha análise, busco ajudar minhas clientes a entenderem suas escolhas, como as profissionais, de estilo, o modo de se vestir, se maquiar, corte e cor de cabelo e de tudo que as cercam”. O processo começa por uma escolha pessoal, a consultoria só acontece se a pessoa estiver aberta e quiser passar por isso. “A consultoria une a análise de perfil com o objetivo de cada cliente, buscando elementos para ajudá-la a chegar a imagem que ela quer transparecer”.

Para sua amiga e cliente Kris Costa Pinho, Paula nasceu para o que faz e sempre foi notório seu tino para moda e estilo. “Outra característica forte dela é saber escutar e acredito que essa é uma qualidade indispensável na profissão”. Kris estava em busca de alavancar seus objetivos profissionais e decidiu contratar uma profissional para ajudá-la a entender esse processo, e se conhecer melhor. “Eu precisava de ajuda para melhorar minha imagem e passar a mensagem correta daquilo que sou e do que quero conquistar”, disse.

Produção e Edição do vídeo: Felipe Negreli

Quando se pensa em consultoria de imagem, é normal se presumir que é para pessoas que estão fora da moda, muito ricas ou que trabalham com a imagem. Paula pretende descontruir essa visão e, para isso, escolheu uma linha de profissão que é reflexo da sua vida. Sempre tentou utilizar e combinar suas peças de roupas para usar em diferentes ocasiões, utilizar a mesma peça para trabalhar e para sair, se sentir bonita em qualquer ambiente. “Eu trabalho pensando em adequação. Busco ajudar minhas clientes a achar o estilo que mais se encaixe com seu modo de vida. Eu gosto sempre de olhar o que a pessoa tem e montar combinações com suas peças. Só após essa análise é que sugiro compras de peças que possam estar faltando. Eu trabalho com consumo consciente.”

Busca como perfil de clientes mulheres em fases de transição — que estão próximas aos 30 anos, que estão mudando de profissão, que acabaram de se separar, que querem ser mais respeitadas em seus trabalhos, que vão ter filhos, ser avós, etc. — pois, para ela, são momentos em que a autoestima entra em declínio. “Eu me identifico com essas mulheres, pois também estou passando por uma grande transição. Estou chegando aos meus 30 anos, decidi morar com meu namorado e mudar de profissão. A minha história de vida é uma reunião de transições. Nós somos como um rio e não como árvores, estamos sempre em movimento”.

Kris Costa Pinho contratou os serviços de consultoria quando completou 30 anos. “Sempre considerei essa idade um marco importante na vida de uma mulher”. Para ela, Paula representa um marco em sua vida. “Hoje sei o que sou, o que gosto e o que quero”. Ela conta que a consultoria de imagem a ajudou muito nesse aspecto. “Uma boa imagem, que passe a mensagem correta das características de uma mulher, contribui muito para sua segurança e autoestima. E quem tem isso pode conquistar o mundo”, afirma.

Paula Negreli teve facilidade em engrenar como consultora. Logo que terminou o curso, já tinha clientes. Ela diz pretender crescer nessa profissão e se tornar referência na área. “Eu me surpreendi de ter me encontrado nessa carreira, mas sou muito feliz nela. Principalmente por poder fazer algo pelas outras pessoas”.


Matéria desenvolvida para a disciplina de Jornalismo Literário, ministrada pelo professor Paulo Camargo, no curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.