Um espectro ronda Minas Gerais…. Uma UEE Fantasma!

Lopo
Lopo
Aug 22, 2017 · 4 min read

“Ainda não existe UEE. Esta que dizem ter reconstruído na nossa opinião é uma entidade fantasma porque não atende a dois requisitos básicos” — Ricardo Targino, Coordenador Geral do D.A. Fafich em abril de 1999

No próximo dia 26 de agosto vai acontecer mais um Congresso da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais — UEE-MG — em Diamantina.

Em abril de 1999 a então gestão do D.A. Idalísio Aranha — Fafich UFMG publicou um artigo sobre a então UEE. A publicação foi saiu no Movimento (Jornal do D.A) e assinada pelo então Coordenador Geral, Ricardo Targino.

Acredito que contem boas reflexões que que podem se aproximar da realidade da UEE-MG. Em tempos de Congresso, essas reflexões se revigoram e batem na porta de todas as correntes políticas do movimento estudantil.

Reproduzo o texto abaixo também em um esforço de preservar a memória do movimento estudantil da UFMG, de Minas Gerais e do Brasil. Uma memória com todos os contornos, transtornos e alegrias, próprias da vida política estudantil.

_______

Um espectro ronda Minas Gerais…. Uma UEE Fantasma!

por Ricardo Targino, Coordenador Geral do D.A Fafich UFMG

De uma coisa temos clareza: nem todos aqueles que atuam no movimento estudantil tem uma mesma concepção de entidade. No nosso caso, defendemos as entidades enquanto ferramentas de luta e organização para a defesa dos interesses dos estudantes. Entretanto, determinadas correntes vêem como instrumento para uso apenas de sua política, passando por cima dos próprios estudantes.

Por bem, a corrente que dirige a UNE — União Nacional dos Estudantes e a UBES — União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a UJS — União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB, resolveu recriar a União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais. Nenhum problema até aqui. Só que buscaram fazer isso apenas com DCE’s, justamente para impedir a participação dos estudantes nesse processo e de suas entidades de base, D.A.’s e C.A’s doestado. Impuseram um congresso com data, local, critérios de participação, tudo sem a menor democracia.

O resultado disso é que boa parte dos D.A’s, C.A’s e alguns DCE’s do estado não participaram deste processo. Mas isso nem é o mais grave. O pior de tudo é que NÃO HOUVE ELEIÇÃO de delegados (aqueles que votam no Congresso) pelos estudantes na maioria das faculdades do estado. Nos pouquíssimos casos onde houve eleição, primou a despolitização, a falta de discussão e a falta de informação.

Nada disso é por acaso. Querem reconstruir uma entidade para usa-lá apenas como mais um Balcão de Carteirinha. Querem uma UEE completamente distante do estudante da sala de aula.

Nós nos somamos aos que querem entidades de verdade, representativas, democráticas e de luta e por isso não participamos desse congresso.

Apesar disso aconteceu o Congresso, delegados não faltaram. Resta saber quem eram estes. Não é novidade esta corrente tirar delegados da cartola. No último congresso da UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) por exemplo, votaram 3 delegados a mais do que os que se credenciaram, quando o normal é diminuir cerca de 10% este numero. Isso nos leva a crer que “surgiram”, durante o congresso da UBES entre 80 e 100 delegados. Quem frauda na UBES pode muito bem fraudar num Congresso que realiza apenas com seus aliados.

Ainda não existe UEE. Esta que dizem ter reconstruído na nossa opinião é uma entidade fantasma porque não atende a dois requisitos básicos: ela não representa o estudante da sala de aula, na medida de em que este não participou do processo e não representa o conjunto das entidades de base (D.A’s e C.A’s) e nem das entidades gerais (DCE’s importantes do estado não a reconhecem)

Na nossa opinião é preciso reconstruir uma UEE de verdade, inclusive coma participação dos fizeram este processo equivocado. Queremos uma UEE que envolva os estudantes,que seja democrática e organize-os para as luas em defesa da escola pública.

Nesse sentido, chamamos o DCE-UFMG, e todos os outros que compactuaram com este tipo de pratica a romper com essa “UEE” para que possamos fazer um Congresso Estudantil de fato, com delegados eleitos pelos estudantes, que represente o movimento estudantil em seu conjunto.

Texto publicado em abril de 1999 pelo Jornal Movimento - do D.A Fafich UFMG e assinado pelo então Coordenador Geral Ricardo Targino

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade