
Um espectro ronda Minas Gerais…. Uma UEE Fantasma!
“Ainda não existe UEE. Esta que dizem ter reconstruído na nossa opinião é uma entidade fantasma porque não atende a dois requisitos básicos” — Ricardo Targino, Coordenador Geral do D.A. Fafich em abril de 1999
No próximo dia 26 de agosto vai acontecer mais um Congresso da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais — UEE-MG — em Diamantina.
Em abril de 1999 a então gestão do D.A. Idalísio Aranha — Fafich UFMG publicou um artigo sobre a então UEE. A publicação foi saiu no Movimento (Jornal do D.A) e assinada pelo então Coordenador Geral, Ricardo Targino.
Acredito que contem boas reflexões que que podem se aproximar da realidade da UEE-MG. Em tempos de Congresso, essas reflexões se revigoram e batem na porta de todas as correntes políticas do movimento estudantil.
Reproduzo o texto abaixo também em um esforço de preservar a memória do movimento estudantil da UFMG, de Minas Gerais e do Brasil. Uma memória com todos os contornos, transtornos e alegrias, próprias da vida política estudantil.
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Um espectro ronda Minas Gerais…. Uma UEE Fantasma!
por Ricardo Targino, Coordenador Geral do D.A Fafich UFMG
De uma coisa temos clareza: nem todos aqueles que atuam no movimento estudantil tem uma mesma concepção de entidade. No nosso caso, defendemos as entidades enquanto ferramentas de luta e organização para a defesa dos interesses dos estudantes. Entretanto, determinadas correntes vêem como instrumento para uso apenas de sua política, passando por cima dos próprios estudantes.
Por bem, a corrente que dirige a UNE — União Nacional dos Estudantes e a UBES — União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, a UJS — União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB, resolveu recriar a União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais. Nenhum problema até aqui. Só que buscaram fazer isso apenas com DCE’s, justamente para impedir a participação dos estudantes nesse processo e de suas entidades de base, D.A.’s e C.A’s doestado. Impuseram um congresso com data, local, critérios de participação, tudo sem a menor democracia.
O resultado disso é que boa parte dos D.A’s, C.A’s e alguns DCE’s do estado não participaram deste processo. Mas isso nem é o mais grave. O pior de tudo é que NÃO HOUVE ELEIÇÃO de delegados (aqueles que votam no Congresso) pelos estudantes na maioria das faculdades do estado. Nos pouquíssimos casos onde houve eleição, primou a despolitização, a falta de discussão e a falta de informação.
Nada disso é por acaso. Querem reconstruir uma entidade para usa-lá apenas como mais um Balcão de Carteirinha. Querem uma UEE completamente distante do estudante da sala de aula.
Nós nos somamos aos que querem entidades de verdade, representativas, democráticas e de luta e por isso não participamos desse congresso.
Apesar disso aconteceu o Congresso, delegados não faltaram. Resta saber quem eram estes. Não é novidade esta corrente tirar delegados da cartola. No último congresso da UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) por exemplo, votaram 3 delegados a mais do que os que se credenciaram, quando o normal é diminuir cerca de 10% este numero. Isso nos leva a crer que “surgiram”, durante o congresso da UBES entre 80 e 100 delegados. Quem frauda na UBES pode muito bem fraudar num Congresso que realiza apenas com seus aliados.
Ainda não existe UEE. Esta que dizem ter reconstruído na nossa opinião é uma entidade fantasma porque não atende a dois requisitos básicos: ela não representa o estudante da sala de aula, na medida de em que este não participou do processo e não representa o conjunto das entidades de base (D.A’s e C.A’s) e nem das entidades gerais (DCE’s importantes do estado não a reconhecem)
Na nossa opinião é preciso reconstruir uma UEE de verdade, inclusive coma participação dos fizeram este processo equivocado. Queremos uma UEE que envolva os estudantes,que seja democrática e organize-os para as luas em defesa da escola pública.
Nesse sentido, chamamos o DCE-UFMG, e todos os outros que compactuaram com este tipo de pratica a romper com essa “UEE” para que possamos fazer um Congresso Estudantil de fato, com delegados eleitos pelos estudantes, que represente o movimento estudantil em seu conjunto.
Texto publicado em abril de 1999 pelo Jornal Movimento - do D.A Fafich UFMG e assinado pelo então Coordenador Geral Ricardo Targino

