Escrito de um ano atrás

Nos apaixonamos por fantasmas, meros reflexos de nossos desejos, sonhos e utopias. Insanamente, nossa entidade é confundida com o ser real pela qual nos apaixonamos, é criada a partir desse, e desse floresce em outra dimensão. A paixão dura enquanto nossa fantasma camufla a realidade, quando esta é demonstrada e declarada ao Sol, nossos olhos são ofuscados e caímos na lástima de nossas próprias angustias e ilusões. Sofremos sobre a percepção que nosso fantasma nunca existirá nesse mundo e que não será encarnado por aqueles que dizemos amar. Aceitar a perda desse ente se torna difícil quando para nossa mente cada lance de luz que for lançado é suficiente para que acendamos à luz da ilusão e da esperança. “Abandonamos” nosso fantasma quando percebemos que o mesmo não existe e nunca irá existir, é então chegada a hora de se libertar. Se libertar da insanidade, que apagou as luzes e chamou de trevas tudo aquilo que não condizia com sua realidade paralela de expectativas.
Quanto ao fantasma, sempre iremos amá-lo. Vive em nosso ser, no fundo dos olhos. Irá nos habitar para sempre.
Toda paixão remete a criação de um novo fantasma? Coexistem? Podemos nos apaixonar por seres reais? Apenas se nossas angústias, medos, desejos e utopias não fizerem de nossos amores meros prisioneiros da nossa mente.

Escrito em: Setembro de 2015. Digitado da mesma forma que se encontra no papel, escarrado, sem sentido e pós amor platônico.

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