acidente ou desvio-padrão

sobre insônia e delírios (nada mais que nosso inconsciente quando descriptografado)

nota de atualização: encontro-me sentado. sentado e exausto. exausto involuntariamente, é preciso esclarecer. não o tipo de exaustão ao qual o indivíduo se submete após alguma atividade prazeirosa como correr a São Silvestre ou apenas correr com seu cachorro. não esse tipo. exausto mais como quem tem em seu cotidiano a insônia e o estresse como companheiros de trabalho. aliás, eu nem trabalho.

tempo para reflexão (tempo é preciso)

prosseguindo com o relatório: estou sentado na frente desta máquina formidável que é o computador. maravilha. fui irônico, na verdade. ou sarcástico. na verdade não consigo me expressar bem com palavras. escritas, ainda. só para piorar ainda mais minha incapacidade de ser humano. na verdade, de ser animal visto que todos os animais se comunicam segundo um documentário que eu vi um dia desses.

[há sarcasmo na linguagem dos outros animais? e ironia? e duplo sentido? e canalhice? deve haver pelo amor de deus não podemos ser seres tão especiais assim não é possível.]

a minha cabeça está explodindo haja vista minha insônia companheira. obviamente não é querida, mas não deixa de ser companheira. ao contrário do café. se bem que. dane-se.

vamos aos fatos: é o meu sétimo dia sem dormir. na verdade, sem dormir direito o que dá na mesma. eu já não consigo mais. as cores perderam a cor, os sabores todos se convergem para o amargo do café no fim da garganta ou na boca do estômago.

e no sétimo dia deus fez a insônia e viu que aquilo que havia feito não era bom. esqueceu-se de apertar ctrl+z e desfazer o que havia feito. deixe estar.

o duplo sentido das palavras só atesta a nossa escassez de criatividade para inventarmos expressões diferentes para coisas diferentes. nós somos ridículos, convenhamos.

[certo. eu sou ridículo, não você. desculpe. foi um equívoco não se repetirá. ou quem sabe sim.]

o café é amargo mas me dá energia para continuar acordado.

a vida é amarga para nos deixar acordados?

e quem adoça o café? como faz com a vida?

e quem usa adoçante ao invés de açúcar? e faz diferença o açúcar ser mascavo ou refinado?

o café uma hora acaba. assim como a vida. aí você dorme. eu não porque tenho insônia.

a vida é como um daqueles jogos em que o nível de dificuldade vai aumentando progressivamente e uma hora ou outra você perde. o problema é que eu nunca fui bom jogador.

“eu escrevo parágrafos com uma frase apenas”

“Hum.”

“e geralmente sem pontuação adequada”

“Hum.”

“e também sem diferenciar maiúsculas de minúsculas”

“Hum.”

“é grave doutor?”

“Infelizmente, sim. O tratamento é complicado e pode levar anos, embora esse seja um problema muito comum. Mas os pacientes geralmente são crianças de até 10 anos de idade que ainda não desenvolveram os anticorpos gramaticais e precisam tomar doses diárias de aulas sobre as normas da Língua Portuguesa. O teu caso é mais crítico, meu senhor. Após os 80 anos a capacidade de aprendizado já é limitada pela idade.”

“o que eu devo fazer então?”

“O melhor que o senhor pode fazer é evitar o contato com teclados, canetas, lápis ou qualquer objeto pontiagudo que possa lhe servir para a escrita. Assim, o senhor colaborará para que o seu problema não seja transmitido a outras pessoas. Infelizmente, ele é altamente infeccioso haja vista as precárias condições linguísticas da população. Não há dicionários suficientes para combater uma epidemia. Lamento; não há nada que se possa fazer.”

Luto.

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