tzxtos rapidos 2

No meio dessa vasta escuridão agravitacional que me engole, me digere e me vomita todas as noites, tudo me é permitido - com a única condição de que nada me será suficiente na manhã seguinte.
E não é nem que eu realmente sofra com meus efêmeros amores, a liquidez das coisas já me consumiu há muito, o problema é que é um processo desgastante e cansativo.
Não sei se minhas palavras fazem sentido, mas eu sinto que a minha solidão é só um vácuo, um espaço vazio, um não-ser em si: ela simplesmente não é. Eternamente não sendo, toma para si diversas identidades: amigos, família ou mesmo drogas, religião e interesses - que podem ou não tornarem-se obsessivos.

Cerco-me de entulhos e coisas que são para suprir a sua não-natureza. E estas coisas orbitam em sua devoradora face negra e infinita: um buraco negro de coisas insuficientes. 
E eu flutuo em meio a todas estas coisas enquanto luto contra a opressora gravidade da minha solidão. Não é sempre que consigo me segurar, e às vezes, quase sempre, quando me seguro, há um repuxo que me joga ainda mais pra baixo. Ainda mais perto do centro frio e inerte do não-ser.

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