Stimulacron: sobre o livro

A motivação principal em escrever Stimulacron foi transmitir uma mensagem. Ciente de que independentemente de como abordaria alguns tópicos, resolvi criar uma novela, que então entraria para o escrutínio do público. Portanto, tratei abertamente uma série de temas controversos.

Durante o processo de escrita fui movido pelo sentimento e paixão de criar algo que pudesse cativar e intrigar, principalmente colocando em pauta uma série de questões como: política, globalismo, tecnologia e homossexualidade.

Meu interesse, obviamente, não foi financeiro. Não sou alguém conhecido, principalmente nas “panelas” existentes por aí. Claro, se tiver a oportunidade de fazer com que o livro chegue nas mãos de muitas pessoas, eu realmente ficaria muito feliz.

Capa do livro

Levei três meses para colocar a história no papel, após um período de quatro meses para o desenvolvimento de todo o enredo. Com a finalização da escrita, fiz a revisão, negociei com a editora e, finalmente materializaria tudo o que estava até então em minha cabeça. O tempo total foi de quase dez meses, desde o início do processo até o seu término. Tinha o hábito de pensar em tudo o que seria escrito durante o tempo que levava desde a minha casa, até o escritório em que trabalho. A música, principalmente clássica, foi de grande importância durante este processo mental, que me faria desenvolver todas as cenas para transformar a imagem em escrita.

Em Stimulacron procurei criar uma sociedade no futuro, que vive baseada na criação de narrativas políticas e suas consequências para as pessoas comuns. O ponto principal que me levou a seguir este caminho foi por ter notado como muitas pessoas têm lidado com o discurso político de maneira visceral, principalmente através das redes sociais. Acredito que hoje temos vivido um tempo de “guerra civil”, com as pessoas “pensando” com o intestino.

Outras questões foram colocadas em pauta, como liberdade econômica e responsabilidade individual, entre outros temas. A ideia principal foi pautar tais itens, principalmente sobre liberdade individual, em uma ficção e que fosse de fácil entendimento, com uma leitura leve e adaptada dentro da perspectiva do mundo atual. A tecnologia permeia todo o livro, que é a área que eu tenho atuado profissionalmente. A ficção, portanto, seria um meio de transmitir uma mensagem, que pudesse fazer as pessoas pensarem sem ter de recorrer aos formalismos, chavões e pedantismo acadêmico.

Crédito da imagem: Felipe Santos (https://www.facebook.com/DEMFelipe)

O processo de escrita foi renovador para mim, como se tivesse sido uma terapia. Converter em um livro tudo o que havia sido criado em minha mente foi de grande satisfação pessoal.

Para finalizar, gostaria de deixar a frase que inicia o livro: “Ganhei um Daruma de presente. Pedi sabedoria e pintei um de seus olhos, mas até hoje não consegui pintar o outro olho”. Ou seja, não demonstra ingratidão, muito pelo contrário, apenas diz: “A única coisa que sei é de que nada sei”.

Daruma