Same Old Blues

Achei que você não voltaria mais.
E cá estamos.
Fitando um ao outro.
A velha história de sempre.
Você me puxa e eu mergulho em minhas profundezas.

Nós dois mudamos.
Crescemos e aprendemos com nossos erros do passado.
Assim como eu estou mais forte. Preparando minha defesa.

Você também fez o mesmo. Mudou sua estratégia.

Nossa guerra fria acabou e agora nos enfrentamos na linha de frente.
Morteiros, metralhadoras, aviões cruzando os céus, homens empunhando suas espadas, espiões, bombas ensurdecedoras e os médicos de prontidão.


Todos meros peões do verdadeiro jogo.
O nosso jogo.

Cada movimento uma consequência.
Um novo cenário.
Uma nova batalha.

No silêncio contemplo as respostas.
Um solilóquio de melodias tendem a começar.
E no silêncio você aparece.

E com minha dança boba, sabe que vai perder.

Aqui tenho meus companheiros.
Pode até gritar mas o som da batida te ofusca.

Ainda sim você consegue se impor.

Como eu disse, mudamos nossas estratégias.
E voltamos ao mano a mano.

O gosto metálico em minha boca não irá me abalar.


E como um farsante profissional, me abalo.
Méritos todos seus.

Abalado me pego a pensar.
Preciso mais do que nunca de minha catarse.

O buraco em meu peito aumenta à cada busca por razões falhas.
A felicidade parece ir embora tão rápido quanto os dias mais belos que já vivi.
Então esse é o seu novo jogo.
O ponto de interrogação.
Todos os porquês sem respostas.
Me prendendo na dúvida.
Me mantendo na escuridão.

Tudo bem, sei lidar contigo.
A velha história de sempre.
Você me puxa, eu afundo.
Como um explorador subaquático, adentro cada pedacinho inóspito.
Observando e tomando nota.
Para emergir uma vez mais.
Algum dia tudo ficará bem.
Não hoje, mas tudo bem.
Continuo.
Continuo aqui.
