Foi só um insight (e passou)

um tempo considerável que as coisas tomaram seu próprio rumo, me levaram junto e, mais que nunca, perdi o controle de todas as formas de ser defendido. Defendido de mim mesmo, das minhas próprias sabotagens, dos meus próprios erros e dos caminhos errados que sempre optei por seguir, ainda que sabendo das consequências, enquanto vivia em uma ampla estrada sinuosa que cabiam todas as minhas emoções e os nossos amores. Ao que parece, uma coisa maior ainda do que eu tinha, e tão significante quanto, me obrigou a ir pra um caminho que não há como errar. Se eu errar, erro por mim e pra mim. Nesse caminho, o espaço deixado pelo meu ego pra que essas atitudes sejam possíveis é nulo. Sou eu, por mim…

O grande problema das frases clichês, frases de efeito que os amigos de rolê jogam pra você quando não há mais pra onde correr, é que elas nunca são valorizadas, e são reais. “Ame-se”. Eles dizem. “Valorize-se”. Eles dizem. “If you can’t love yourself, how in the hell you’re gonna love somebody else?”. Eles dizem (ainda pedem um amém).

“Quando vou conseguir executar tudo isso em mim?”. Eu digo.

Depois de tanto seguir um instinto livre de preceitos, compromissos e inquieto pra descobrir coisas que minha monogamia não permitia, fui deslizando pra um novo caminho retilíneo, muito bem definido, sem espaço para erros e muito pequeno, muito mesmo. Tão pequeno que só eu caibo nele. Tão pequeno que é impossível alguém adentrar sem que eu seja sufocado nesse trecho minúsculo sugado pelo meu ego. Aqueles que tentam um espaço nesse momento acabam com duas opções: ficam atrás ou à frente. Nunca juntos. Se acabar deixando-os pra trás, minha caminhada segue um passo mais rápido. Se acabo deixando-os seguir em frente é pra que, enfim, em algum dia, algum momento, eu possa alcançar um espaço maior nessa estradinha, que caiba dois.

Assim meu ego e meus desejos conquistaram um ar só pra eles. Quanto mais desejo um espaço maior pra caber duas almas, mais estreito fica e placas clichês vão aparecendo no caminho. Essas placas dizem aquelas frases clichês dos amigos de rolês te avisando sobre o que fazer.

Apesar de tudo isso, de todos os efeitos, daqui posso ver cada marca deixada no outro caminho. De uma forma bem clara. O quanto meu ego quis engolir tudo. Claramente, permitir que eu fizesse tudo isso me reduziu mentalmente ao tamanho que sempre deveria estar: iguais a todos que passam por mim.

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