“Mas por que Colômbia?”

Mas por que NÃO Colômbia?

Bem, essa pergunta do título foi uma das que eu mais tive que responder nos meus últimos meses aqui. Muita gente preocupada com as FARCs, com altitude, com Espanhol, com o MEU Espanhol. Então é bem isso que eu respondo: Por que não Colômbia?

Mas vamos tentar explicar. Há um ano, mais ou menos, eu comecei a esboçar meus planos de sair do Brasil, principalmente em busca de experiências extras, trabalho e/ou estudos em outro país. Cheguei a passar em uma faculdade em Lisboa, mas naquela época o preço das coisas estavam um pouco altos e minha vida financeira andava capenga.

Depois, pensei em ir para Buenos Aires. É aquela coisa: o país estava meio que em crise, isso ajudava na conversão de moedas, sem falar que não precisava de visto nem passaporte. Logo, o custo-benefício era mais fácil e caso desse algum problema, o Brasil era logo ali.

E em todos estes planos, eu tive a sorte e o prazer de ter um grande amigo ao meu lado, Pedro Ascar. Esse rapaz já morava comigo desde 2014 e ambos compartilhávamos este sonho. Como o destino sempre dá as caras, algumas circunstâncias fizeram com que Pedro passasse em um processo seletivo para um trabalho em Bogotá.

Nesta época ele estava sem emprego, e eu empregado. Pedro me contou que tinha aceito o trabalho na Colômbia e eu já tremi nas bases: teria que morar sozinho de novo, procurar outro apartamento e ficar enfurnado em um trabalho sem nenhuma perspectiva de crescimento que me possibilitasse realizar o sonho de sair do Brasil.

Aí o destino apareceu de novo: dois dias depois de saber que o Pedro iria para Bogotá eu fui demitido por conta da crise no Brasil; ganhei meus acertos básicos e finalmente tive como juntar meus dinheiros para bancar essa loucura na Colômbia.

Sem brincadeiras, então, a resposta à pergunta-título é essa. Bogotá não foi uma escolha, mas foi a melhor possibilidade no momento, e eu decidi que faria dela ainda melhor. Morar fora do Brasil é traumático, principalmente quando você vai sozinho.

Então seria lindo eu conhecer outra cultura, aprender outra língua, e tudo isso na companhia do meu melhor amigo, dividindo contas, experiências, medos e novas sensações. Ele está empregado, eu tenho três meses como turista. Tempo suficiente para eu trilhar meus caminhos, procurar um emprego ou algo para estudar, e assim conquistar meu visto por mais tempo.

A boa possibilidade de mudar de vida

Independente disso tudo, devo avisar que não tenho mais perspectivas além dessa de conseguir visto de trabalho ou estudo. Sempre fui e me senti mesmo uma pessoa bem acomodada. Daquelas que são insatisfeitas no trabalho, por exemplo, e não têm forças para mudar.

Até porque às vezes para os acomodados é mais fácil ficar ganhando dinheiro com algo ruim do que não ter dinheiro enquanto você procura algo bom, não é mesmo?

E nunca nessa vida eu me permiti me jogar de olhos vendados em algo. Então essa loucura toda vem para isso. Claro que tudo está devidamente planejado (financeiramente falando), mas de resto, é se jogar mesmo.

Eu também sabia nada sobre Colômbia, achava que tinha entendido um pouco depois de assistir Narcos na Netflix… Esse não saber de nada já me mostrou ser algo especial, porque pude pesquisar mais a fundo, entender melhor, e hoje vejo que Bogotá pode surpreender positivamente qualquer um; e que a cultura colombiana parece com a nossa, mas na verdade não tem nada a ver.

Quero poder olhar para trás e ver que finalmente tive a coragem de chutar aquele balde que a gente chama de comodismo, dar voadeira nas cadeiras do marasmo e quebrar alguns vasos de tédio. Quero poder me orgulhar em ter mudado tudo, em arriscar um bom punhado de comodismo por um caminhão de incertezas.

E tem coisa mais incerta do que descobrir que OI, VOCÊ VAI PARA A COLÔMBIA SEM SEQUER SABER O QUE TEM POR LÁ!?

Não, não tem. E eu estou adorando isso.

Bila manda Beijos.
#SOYLOCOPORTIAMERICA