Mineiros, Goiânia, Bogotá

Bem, antes de mais nada, vamos às apresentações. De início, este espaço vai ser para que eu mantenha contato com aqueles amigos mais próximos que sempre me perguntam como foi, como está sendo e como será minha nova rotina morando em Bogotá. Mas nada impede que outras pessoas também acabem se esbarrando com meus textos aqui, então comentários serão sempre bem-vindos.

Quando você toma esse tipo de decisão, a de se mudar para um lugar completamente diferente, você acaba sofrendo algumas consequências. Devo dizer logo de cara que não, não é bem um mar de rosas. Infelizmente temos algumas boas semanas de burocracias, uma vida corrida, ansiedade sempre aumentando e aquela rotina de não ter hora para dormir ou para acordar.

Resumo da ópera: desde que eu decidi largar tudo em Goiânia após ser demitido e resolver ir para a Colômbia, engordei 10 quilos, reforcei minha rinite alérgica psicológica, tive febre, tive mais insônia, me senti cansado com qualquer coisa e oi, eu já disse que engordei 10 quilos?

Mas tudo bem, a gente aprende a relevar grande parte disso no decorrer das semanas, naquilo que eu chamo de “olho do furacão”. Por quê? Por isso aqui, ó:

Em terra, o centro do olho [do furacão] é, de longe, a parte mais calma da tempestade, com céu sem nuvens, vento e chuva na maior parte.

Ou seja: tá vindo um furacão. Aí de repente tudo fica calmo, que é quando você está passando pelo olho daquele furacão. Mas o olho é o meio, então logo depois da calmaria, você passa pela tempestade de novo, até se livrar dela por completo. Eu estou no meio do olho, neste exato momento.

Mineiros, o meio do olho do meu curioso processo de transferência para a Colômbia

Depois de resolver (quase) todas as pendências da capital de Goiás, meu lar por mais de oito longos anos, foi a vez de passar por um momento de reclusão em Mineiros, minha terra natal. Reclusão em modo de dizer. Mais do que me despedir da família, eu sentia que precisava voltar aqui antes de me mudar de vez.

Talvez para mostrar a todos que sim, sou uma ovelha desgarrada mesmo, não tenho muito contato com família mesmo, sou meio largadão mesmo, e essas coisas todas. É como se eu dissesse: “Olha, gente, eu vou, mas não sei se volto. Vocês já sabiam disso também, vai…”.

Mas o que mais pesou na minha vinda foi mesmo a nostalgia. Eu sempre fui uma pessoa nostálgica e eu preciso disso para lembrar de onde eu vim e, assim, ter ciência daquele novo “para onde eu vou”. Por mais que eu brinque que isso aqui é uma roça, meus olhos brilham sempre que eu saio nas ruas, revisito lugares ou vivo como um “nativo”.

Tudo aquilo que eu sou hoje vem daqui. Minha vida como eu a entendo tem tudo isso aqui como início. Foi em Mineiros que eu encontrei meus primeiros amigos, e alguns duram até hoje. Então tudo isso me fez voltar por um instante. Tudo isso está me fazendo ver que eu preciso, antes de ir, agradecer; agradecer meus pais, minha família, minha cidade, os meus amigos daqui. Porque sem eles, eu possivelmente nem teria saído daqui de Mineiros oito anos atrás.

E é assim que vai funcionar. Ainda não sei quando viajo de vez para Bogotá, mas enquanto isso vou curtindo minha nostalgia, revivendo aquilo que está cravado no meu braço esquerdo, numa tatuagem:

A terra com suas raízes

E logo mais tem outras novidades e informações sobre a minha mudança por aqui.

Bila manda Beijos.
#BRIGADADINADA