Enfie o negro na universidade e estaremos salvos.

Quantos negros tem na sua sala de aula ?

Somos poucos nas universidades, no ensino de graduação e isso se torna migalhas se compararmos aos números de alunos em sistema de pós graduação e doutorado.

E assim se vê nossa atual situação . De colonizador para colonizador e as migalhas aos colonizados.

Em pouco tempo na universidade parei em meio as semanas de prova, resumos e cálculos sem fim para ler o artigo de uma educadora que dizia:

  • ‘’Amigos, os negros necessitam urgentemente ocupar as universidades’’ .

Fiquei panguando por alguns minutos e cheguei a algumas conclusões. É muito fácil para a esquerda branca que é dotada de privilégios e vem lentamente os reconhecendo, propagar discursos de empoderamento do povo negro, sim, brancos dizendo o que é ‘’ ascender’’ para negros.

E não funciona apenas desta forma. Temos exemplos práticos e percebemos que infelizmente, a educação não é a única forma que revolucionar o nosso atual sistema. Temos visto que a mesma está sucateada e pisoteada e isso não revolucionará ninguém enquanto a mesma não for valorizada.

Está se propagando por ai um discurso acadêmico e elitista de que todo negro deve entrar na universidade e multiplicando o sentimento de negro salvo pelo sistema educacional que vemos por aí.

O discurso acadêmico, pretende escolarizar todos os indivíduos negros e sabemos que as oportunidades não são as mesmas. Nosso povo vem lutando para ocupar o sistema educacional e inclusive se manter nele.

Ao invés de ocuparmos em peso as universidades como querem, ocupamos em peso as taxas de evasão das escolas, as taxas de analfabetismo e as taxas de abandono durante a graduação.

O negro ao entrar na universidade pública aprende sente na pele o sentimento, o quanto é ocupar e resistir em um ambiente branco, elitista e que o grita ‘’ saia daqui’’ a todo momento.

O negro não tem a universidade como único espaço de consciência e empoderamento, palavra que pouco uso por estar banalizada. Fazendo isso, apagamos milhares de negros e negras que por questões já impostas não ocuparam a universidade.

A mulher negra e periférica, o homem negro que parou de estudar na quarta série do ensino fundamental, a transexual negra que tem medo de adentrar a universidade, o companheiro e a companheira que tem de viajar horas para chegar a universidade que fica na cidade e longe da zona rural onde mora.

Todos são importantes em nossa luta para colocar o povo negro como participante do banquete social. E suas bagagens de opressão não são medidas por ni veis de escolaridade e diplomas.

Lute por ocupação, mas também lute por medidas de permanência de nossos irmãos nos sistemas de ensino.

A nós negros que fazemos parte do sistema universitário cabe durante e após a formação, colaborar no papel de formadores de consciência e que nossa formação adquirida não sirva de tapete para brancos pés, mas de escada para negros corpos.

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