Uma análise do dirscuso de amor de meu pai:

“Hoje definitivamente está muito difícil brincar com as palavras. Quase tudo que penso me 
leva ao lugar comum do “Nada do que eu diga….“, “Não há palavras no mundo que descreva….“, 
“Mil palavras não serão suficientes….“ e por ai vai.”

Meu pai deixa claro a sua consciência perante seu dirscurso exagerado, uma característica que soa
em sua compreensão como um pesar- não importa o quanto eu tente, não consigo mudar isso — incapacitado
de conseguir e agoniado pela tentação.Me soa familiar porque conheço um cara assim.

“[…]Pois é essa a grande conclusão de tudo….. não há definitivamente nada nesse mundo ou em outro 
qualquer, que defina o que sinto por você.”

A desistência da luta pela razão. A absoluta submisão. Um alivio para alma cansada que busca mas não chega.
A aceitação da incompreensão de algo visivelmente material.

“[…] Da mesma forma, sei também que o restante da minha estrada é a mesma que a sua e que nela eu estarei
por todos os outros muitos anos que ainda restam de caminhada para você.”

A serenidade, o descanço, a plenitude-estabilidade associadas ao relacionamento tornando-o responsável pela
manuteção de sua saúde. Tanta expectativa e fé depositada só pode ser justificado se levarmos o sentimento
do homem pelo campo metafísico;O idealismo de sentimento criado para justificar todas as coisas idiotas que
fazemos por amor.

O discurso de meu pai é a melhor representação de como as relações, sejam pessoais, ideais ou objetais tem
por essência a submissão. Para podermos impor controle de consciencia limpa, aceitamos a possibilidade de 
sermos controlados.

todas as relações são relações objetais no qual é vista o “outro” como uma forma de preencher algum vazio.
Toda busca do homem, todo esforço tem como impulso causal um desconforto. O objeto do relacionamento se 
tornou o responsável folga de esforço. Esforço provindo de algum desconforto. O relacionamento se tornou
a desculpa perfeita para acomodação, desistência, submissão. O que na verdade não deveria ter tal conotação
deturpada já que isso é buscado intencionalmente, ou seja, há prazer em tudo isso.

O homem é golpeado pela moral e as palavras preguiçoso, acomodado, desistente soam mais pesadas que nunca.
Precisa de algo para tira-lo desse paradigma, de preferencia algo grande.Não grande,mas maior que qualquer
outra coisa…

Algo…

“não há definitivamente nada nesse mundo ou em outro 
qualquer, que defina o que sinto por você.”

O discurso de um homem que acabara de encontrar seu Deus

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