Monocromia

Bem de perto eu te via, teu coração quebrado e sua alma vazia. Sabia o que tu passava e entendia tua dor.
Ofereci-me para cuidar de ti, e de bom grado entreguei meu coração. Impuro e sem mágoas. Sorri quando você o aceitou.
E então você ficou bem, e achou melhor devolver o que pegou. Mas o que emprestei não era mais o mesmo. Estava velho, fraco, usado e quebrado. Não funcionava como antes, não mostrava as cores. Doía.
Então eu consertei, com várias ferramentas e com muito tempo. Aguentei a dor e mesmo assim não estava como antes. Mas estava bom.
Você veio mais uma vez, e dizia precisar dele novamente. Disse que teria zelo, que faria certo dessa vez. Você não teve.
O que já estava frágil quebrou-se de vez. O vermelho tornou-se cinza, dessa vez não havia conserto.
Em busca de ver o vermelho novamente, procurei outros corações. Nenhum deles era como meu e apenas me sentia vazio.
Então abri a mim mesmo, e o vermelho jorrou. Estava feliz, via o vermelho mais uma vez. Depois de um sorriso, tudo aquilo se desfez. Agora o preto sobrepôs o rubro e a escuridão se mostrou infinita.
