Deve-se ter coragem… até para afiar o Machado!

Resiliência, coragem e força não são conseguidas apenas com frases prontas e autoajuda, é preciso agir!

Esse é o meu primeiro artigo no Medium, é uma reprodução do mesmo artigo do Linkedin depois de quase 2 anos de e-mails me informando o quão legal seria publicar algo no Pulse.

Confesso que antes de escrever aqui foi preciso tomar coragem, fui acometido de uma leve, porém severa, Síndrome do Impostor que me paralisou por no máximo… 2 segundos, sim, eu venci a inércia e o medo da rejeição, mas o meu maior medo era mesmo da rejeição dos famosos “Haters”, sinônimo de gente amarga, de mal com a vida e que prefere sempre culpar os outros ao invés de culpar a si própria por seus infortúnios, nessas pessoas existe um ódio exacerbado pela humanidade uma Síndrome de Dr. House tão acentuada que o próprio se sentiria amedrontado com tamanha fúria e revolta.

Pronto! Já dei a devida importância a quem não tem importância nenhuma e menos ainda tenho eu importância.

“Quem me leria?”, pensei, “será mais um texto que ninguém vai ler!”, continuo imaginando os vários obstáculos para que eu não redigisse esse artigo, que nada mais é do que um monte de frases e pontuação, na maioria das vezes, ferindo a língua culta e respondendo às perguntas de alguns sobre o porquê de tantas notas zero em Redação no ENEM.

Até agora, o texto deveria falar de ação e em como vencer alguns obstáculos, pois bem.

A escrita desse texto é um exemplo de tudo isso: Resiliência, coragem e força.

Tenho 34 anos de idade, trabalho com Desenvolvimento desde os 14 anos de idade, não me imaginava estar aqui hoje, pois em muitos momentos pensei em desistir!

Sim,isso mesmo, desistir… desistir de viver!

A vida é muito curta para se testar o código antes de se desenvolver!

A vida é muito curta para se desenvolver com ponto e virgula no final da linha de código.

“A vida é muito curta…”, quantas vezes ouvimos isso de nossos entes queridos? quantas vezes sentimos isso? quantas vezes tivemos nossa vida ameaçada por questões… da vida?

Se alguém aqui responder “nenhuma” com certeza pode ser chamado de mentiroso, em um mundo onde qualquer adjetivo que se diga pode se tornar um crime, além de ser um crime se ter opinião formada nos tempos de hoje.

Mas, não estou nem aí pra isso!

Já comi Arroz com Mortadela porque quase passei fome, já vendi o almoço pra comprar a janta!

Já li milhares de livros de autoajuda e sabe o que realmente me ajudou? Agir!

Não adiantou eu perambular por Igrejas pedindo à Deus a minha salvação, não adiantou eu ler Lair Ribeiro e acordar todas as manhãs e fazer a famosa listinha do “O que eu desejo pra hoje?”.

Muito menos utilizar as receitinhas prontas de “O Segredo” ou de “A Respostas para todas as perguntas”.

Não adiantou muito os 8 pergaminhos do Og Mandino para que eu me tornasse O Maior Vendedor do Mundo!

De nada adiantou ver o copo meio cheio ou tirar o “S” da palavra Crise para que ela se tornasse “Crie”.

Nada disso importou até o momento em que eu decidi sair da minha zona de conforto!

Tudo isso virou pó quando eu calei a frase: “Você jamais vai conseguir desenvolver em alto nível! Isso não é pra você! Você não nasceu pra isso!

Eu fiz uma aposta com os pensamentos negativos que me assaltavam: “Provem que vocês têm razão que eu vou fracassar e eu vou replicar com uma prova de que vou vencer!

Se minha vida fosse um barquinho feliz, como o da Família Schurmann, com certeza ele seria um barco cravejado de balas, cheio de remendos e escurecido um pouco por causa do imenso bombardeio de frases derrotistas que me assolavam no passado.

Sabe quando isso mudou? Quando eu perdi tudo o que eu tinha e me vi isolado de tudo e de todos tendo de começar do zero!

Notei que o meu maior herói era humano como qualquer pessoa, percebi que ele sangrava, mas não sangrava de verdade, ele sangrava por dentro e eu vi isso acontecer quando sua tez, que antes era sempre negra como a noite de Lua Nova, tornou-se branca como a neve e olha que eu nunca vi neve mais triste como aquela.

Meu herói se viu abandonado por tudo e por todos, os que outrora o bajulavam naquele momento viraram-se de costas, menos nós, sua família que não deixamos de acreditar em seu potencial!

Perdido, sem saber o que fazer, seu semblante de desespero poderia ter-se desenhado, mas não foi bem isso que aconteceu.

Ele fez o que pôde para manter a família alimentada e unida… fez o máximo, mas isso não foi o bastante para o mundo, mas foi pra todos nós sua família!

Passamos, pela primeira vez em anos, um Natal com apenas um copo de refrigerante de Limão e estava meio sem gás, ilhados pela “Felicidade Natalina” que todos já conhecem e vocês acham que isso foi ruim? não… foi péssimo, e o Barco estava apenas vendo à sua frente uma enorme tempestade, talvez a famosa “Tempestade do Século” e quando nomes como esse são proferidos é porque o negócio vai ficar bem feio.

E ficou, fomos despejados e tentamos vender tudo o que podíamos para que pudéssemos arcar com a mudança para esse lugar, vendemos para uma pessoa…mas, vender não seria bem a palavra, levamos uma volta de quase R$2.000,00 na época… bem vindo à ingenuidade e bem vindo ao jeitinho brasileiro que quer sempre levar vantagem em tudo.

Saímos de um lugar maravilhoso para um lugar perigoso: saímos da Zona Sul do Rio de Janeiro para morar no extremo Norte da Zona Norte, em uma vila que fora construída bem abaixo do nível da rua.

Resumo da Ópera sem o seu Fantasma: alagou de tal forma que tivemos de colocar os sofás sobre as cadeiras para que não perdêssemos o pouco que tínhamos, a água entrava pelos ralos da casa.

Compreendo que a vida não é uma reta, e não é só uma reta com uma curva no final, a vida é um círculo onde rodamos o tempo todo e como rodamos, voltamos várias vezes ao ponto de partida, basta querer recomeçar, mas se você não quiser fazê-lo, serás arrastado ao começo e você escolhe como vai ser: com emoção, ou seja, você foi forçado então vai sofrer o tempo todo ou, sem emoção, onde você aceita e faz tudo o que pode fazer ao seu alcance para fazer a inércia te jogar pra cima e não pra baixo: sempre o livre arbítrio…sempre ele!

Depois de sermos despejados, achamos que não poderia ficar mais Tiririca do que antes… mas, ficou! Joseph Klimber é um perdedor depois dessa!

Meu pai tinha um “amigo” que dizia ter um Bingo em uma cidadezinha de Minas Gerais, depois com calma conto essa estória melhor, resumo: era uma mentira e ficamos presos lá… era uma versão mais moderna de “Trabalho Escravo” pois é, mas esse tinha carteira assinada, mas nos isolaram por distância: estávamos há 4 horas de nossa Cidade de origem isso se o ônibus passasse dos 80 km/h.

Quando eu era mais moço, com idade em torno dos 16, me disseram uma frase, das muitas que carrego comigo até hoje: “Se não acreditam em mim! Criam em vocês, creiam no poder que vocês têm dentro de si! E vocês verão o quão poderosos serão!”. Na prática, não é fácil acreditar em si próprio, ainda mais em uma situação de “vulnerabilidade” e “Miserabilidade” Social dessas, mas não tínhamos outra alternativa a não ser mudar e realmente fomos impelidos, e forçados, a tal senão teríamos sucumbido áquelas intempéries. Me responda uma coisa: durante uma chuva moderada que de repente se torna uma chuva torrencial e com ventos, você fecha o guarda chuva ou põe mais força nas mãos e coloca o guardachuvas contra a chuva e o vento com o intuito de evitar molhar-se? pois bem, foi o que fizemos: arrumamos um guardachuvas para suportar a chuva torrencial que estava acontecendo há tempos e o que é melhor, encontramos o guardachuvas encostado em um poste e parecia que nos esperava. Muitos chamam isso de Matrix, eu chamo isso de fé!

Em todo esse tempo só não passamos fome porque meu pai sempre teve boas idéias, grande parte delas não funcionava, mas algumas sim como, por exemplo, vender a minha força de trabalho todos os dias para os comerciantes locais…isso não deu muito certo, mas de cada 10 clientes que visitávamos, 5 aceitavam o serviço e depois de mais de um mês, consegui fazer uma clientela razoável nessa cidade.

Pois é, essa é a etapa da minha vida na qual eu vendia o almoço para comprar a janta e era isso mesmo o que acontecia: eu deixava de almoçar o meu saboroso arroz com Mortadela em casa para poder trabalhar e angariar a fortuna de R$10,00 por cliente, para poder juntar dinheiro no final da semana para poder pagar as contas de luz, gás e telefone e o condomínio, claro que já fiquei algumas vezes sem luz! mas nunca atrasei o condomínio. Também Levei muita volta e, me perdoem o termo, fui muito “sacaneado” por alguns canalhas. Mas, esses canalhas têm sua utilização na Cadeia Alimentar da Sociedade: Eles te fazem criar um “Couro Psicológico” no qual ter o pé atrás é filosofia de vida… oriental ainda por cima, daquelas que não saem da sua cabeça, grudam mais que as “músicas” de alguns “artistas”.

Nessa cidade, decidi me aventurar a trabalhar pela primeira vez de carteira assinada na vida, antes disso eu era um PJ sem CNPJ, desenvolvia por “empreitada”, eu era um grande faxineiro de códigos: sempre corrigindo a lambança dos outros e ganhava uma merreca por isso! (melhorou muito de lá pra cá tanto o salário quanto as lambanças).

Naquela época eu tinha o meu MEI — Menino Enrolado e Ingênuo — até o momento em que eu entendi que a Moral Cristã só funcionava bem dentro da Igreja.

Comecei a observar que em relação à negócios isso não funcionava muito bem e que a Moral Cristã, qual fui criado com tanto esmero, servia para você se resignar a pagar as dívidas e os ônus de querer sempre ajudar o outro a se erguer… até o primeiro pé bem no meio da sua Bunda!

Realmente, a inércia do chute me fez ir pra frente e ir pra frente literalmente e comecei a trabalhar de forma profissional mesmo: papel assinado e sem reclamações, pois é, foi justamente outro advogado que me sacaneou, mas ele se ferrou nas cores da Bandeira Nacional… cobrei o triplo pra ele depois que pagou R$5,00 por uma formatação e uma reinstalação que o fez perder quase todos os seus documentos. Me ligou e cobrei-o com prazer inenarrável de Darth Vader Carioca: R$40,00 por máquina e ele tinha 6 máquinas! Fiquei Rico! A minha resposta foi simples e profissional: “Meu preço é esse, se quer bem… se não quer… não tome o meu tempo que tenho outros clientes para atender e a agenda está cheia!”… não tinha nenhum outro cliente quiçá agenda, mas coisas boas eu tirei das lições do Lair Ribeiro: “Seja exclusivo, mostre que o seu produto faz o que os outros não fazem”, nesse caso, o produto era o meu trabalho e eu era, e sou até hoje, a minha marca!

Ele pagou no cash — gíria de quem nasceu nos anos 80 e significa “dinheiro” — mas tentou pagar no cheque — minha paciência de Jó nivel 1000 — e eu o ameacei de desfazer o serviço… sim, Moral Cristã agora só aos domingos pela manhã e isso das 7 Às 8, pensar assim não faz de mim um ateu e nem um agnóstico, mas compreendi e aprendi que dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César é permitido desde que César não vire Deus, porque aí vou estar servindo à Mamon, e olha que nem Católico, Protestante ou Agnóstico eu sou!

Meu pai com sua peruasão de chefe de família conseguiu convencer o “amigo” de que “se ele tinha nos trazido então que nos levasse”, nesse momento éramos Mateus e o “amigo” do meu pai, era a parte do “que o embale” e ele nos embalou… nos trouxe de volta pro Rio de Janeiro e voltamos… olha só… para o apartamento de antes de nos mudarmos e sermos despejados! A vida é uma reta mesmo? não… realmente, é um círculo!

Com as lições aprendidas naquela cidade, em 2002, vivo eu até hoje… 2017! Não morri, estou aqui e saí fortalecido.

Muitas outras coisas ainda mais complicadas aconteceram desde o meu retorno: Ulisses ficaria com inveja e pode ser que Homero seja um viajante no tempo ao buscar inspiração para a sua Ilíada e a sua Odisséia.

Não me fantasiei de mendigo para descobrir o ponto fraco dos troianos, mas quase virei mendigo de verdade, se não fosse a minha resiliência, minha força e minha maldita birra em não querer me dar por vencido: não queria que meus pensamentos negativos vencessem, lembra? não ia dar esse gostinho a eles! Não queria passar pelo que André Luis passou antes de ir para Nosso Lar!

De lá pra cá muita coisa boa e ruim aconteceu, mas isso é um tema para um outro texto que pretendo escrever!

Confesso que já pensei em desistir, jogar tudo pro alto, fugir pro Chile e me juntar ao Belchior… mas, vontade é uma coisa que dá e passa e o Belchior é apenas um rapaz Latinoamericano e o Mano Brown é tudo isso e ainda é apoiado por mais de cinquenta mil manos… logo, eu sou um nada! Então, não pude me dar ao luxo de desistir, eu não era digno de desistir, então tive de me lembrar daquela frase de caminhão e que foi transportada ao Orkut em seu período áureo: “Que a sua vontade de vencer seja maior que a sua vontade de falhar”… tá vendo? eu disse que li milhões de livros de autoajuda!

O trabalho em desistir é o mesmo trabalho que vencer… então se é pra ter trabalho, que seja pra vencer! (Encosto da autoajuda presente! vou tomar um banho de mar!)

Agora, imaginem vocês se eu tivesse perdido a aposta e os pensamentos negativos tivessem vencido? Com certeza, eu não estaria aqui no Medium contando vantagem ou vitória, mas eu acho que meus pensamentos negativos, assim como eu, leram A Arte da Guerra, porque vira e mexe, eles cismam de querer me combater e me combalir, normal em brasileiro, mas coo eu também leio Sun Tzu, subo logo em uma montanha de Força e Motivação e também me lembro do arroz com Mortadela e então Sun Tzu diz: “Nunca combata o inimigo enquanto ele estiver em terreno elevado, faça-o descer e então encare-o”… se meus pensamentos algozes leram isso, então deram meia volta e de vez em sempre tentam me fazer descer da montanha… mas a minha Motivação e minha Força, que demoraram para eu conquistar e as cicatrizes destas, são justamente as que empurram as placas tectônicas da montanha da minha vida, na qual me refugio, fazendo com que essa mesma montanha cresça de tal forma que, em alguns momentos, me sinto em um Everest, porque nesse mundo, o que mais tem é gente querendo a sua derrota, a sua queda!

Quanto mais pensamento negativo você tiver, mais certeza você tem de que está no caminho certo! Então continue andando, mesmo que devagar!

Li uma vez um conto oriental de que dizia que Deus perguntava ao viajante: “Você tem em seu caminho pedras e rosas tanto no caminho mais longo quanto no caminho mais curto, qual caminho vai tomar e em quê prefere pisar primeiro?”

O viajante, que devia ser brasileiro, respondeu: — vou pegar o caminho mais curto e quero pisar nas rosas!

Deus respondeu: “Ok! Que seja feita a vossa vontade! agora prepare a mochila porque você vai levar as pedras com você! Espero que a tenha comprado na Le Postiche! Na promoção de Janeiro, inclusive!”

Adiantou andar pelo caminho mais curto, pisar em rosas e ainda carregar as pedras (mesmo que a mochila seja uma Le Postiche)?

Acho que o caminho mais cartesiano seria o mais longo no qual você primeiro pisaria nas pedras, mas levaria as rosas na mochila e da metade em diante,só pisaria em rosas.

De nossa alçada, cabe a decisão entre escolher a Zona de Conforto ou se erguer e lutar. Essa é a mesma dúvida da Letra: “Viver pouco como um Rei ou muito como um Zé”? Eu prefiro viver muito como um Rei fazendo as escolhas certas.

Até a próxima!

P.S.: Você já reparou que eu gosto dos Racionais, mas também escuto MV Bill e Facção Central!