A nossa música nunca mais tocou

E assim como já havia sido dito, nunca mais tocou nada aqui.

Screenshot by Her — Spike Jonze

Enfrento diariamente uma dificuldade de procurar a mim nas coisas onde você me deixou espalhado. Procuro por sensações escondidas que você costurou junto as músicas que dividia comigo. “But I have my moments” você repetiu tantas e tantas vezes que até eu, agnóstico, que pouco crê em alguma coisa acreditei que eu também teria os meus momentos. “I should have know better”, se soubesse que aqueles eram eles eu talvez não os deixasse passar na velocidade que passou, sem deixar poeira, mas arregaçando tudo ao seu redor.

Ninguém nunca mais me acordou por não aguentar a felicidade da notícia que Sufjan Stevens tinha lançado um novo álbum. Também nunca mais ficaram acordados comigo a noite inteira conversando sobre a felicidade de se ser quem se é. Talvez nunca ninguém conseguirá me consolar por não entender que a vida é cruel e que, hoje, você não acorda mais comigo. Não para o café. Não para rir das manias da Lorelai. Não pra escrever o roteiro do nosso episódio do dia e ensaiar as feições para as surpresas da vida.

Por esta imensa quantidade de nãos e nuncas é que busco por você, por mim, pelo nosso passado e pelos momentos que você me fez acreditar ter. A nossa música nunca mais tocou. Nunca mais tocou em mim com aquela felicidade que você me mostrava. Nunca mais me confortou. Aquele abraço virou só um nome de música que também não toca.

Sobrou algumas músicas que ainda tocam e elas são tudo que eu anseio diariamente. Você iria se espantar com a quantidade de vezes que eu ouvi Sharon Van Etten. Não acreditaria se eu te dissesse que em todas as festas eu peço para que toquem Rastapé. Riria da minha cara de choro quando canto Cranberries.

Talvez aquelas músicas nunca mais toquem em mim como tocaram naqueles verões que passei ao seu lado, mas muitas dessas musicas me ensinaram muita coisa.

“You got to lose, sometimes.”