Crítica: A Enguia (Shohei Imamura, 1997)

Sobre o filme

A Enguia (Unagi, 1997) é um filme japonês dirigido por Shohei Imamura.
O filme é vagamente baseado no romance On Parole pelo célebre autor Akira Yoshimura , combinado com elementos do filme de 1966 do diretor Os pornógrafos. Ele dividiu o prêmio Palma de Ouro no festival de Cannes de 1997 junto com o filme Gosto de Cereja, do diretor iraniano Abbas Kiarostami.

Sinopse:

Yamashita acaba de sair da prisão, onde passou 8 anos por ter assassinado sua mulher infiel num ataque de raiva, e vai morar numa pequena vila de pescadores, onde se torna cabeleireiro. 
Sua única companhia é uma enguia de estimação que arranjou na cadeia. Um dia, ele vê a jovem Keiko logo após tentar suicídio, e decide ajudá-la, empregando-a em sua loja, mas decide continuar emocionalmente distante de todos.

Crítica

O filme é o estudo emocional de um homem. O diretor tenta fazer uma viagem dentro da mente e da vida do protagonista de uma forma bem especial, misturando alucinações com realidade no mesmo plano.
Temos a realidade e a alucinação combinadas a fim de vislumbrar a psique de Yamashita. 
A combinação das duas coisas é bem expressada numa suposta carta que ele recebeu dizendo que sua esposa o estava traindo, onde não fica claro se esta carta existe mesmo ou se foi uma materialização motivada por um ciúmes.

O método de detalhar a vida interior do protagonista é feita por um uso extensivo de simbolismos.
O exemplo mais óbvio é a enguia, que em um paralelo com Yamashita vive uma vida protegida solitária em seu tanque, sem a necessidade ou a vontade de se comunicar com o mundo exterior. Outro simbolismo é manifestado no lixeiro local que, com ações erráticas e irracionais, manifesta-se como uma voz da própria consciência do protagonista, sempre expondo todas as inseguranças (em relação ao seu desempenho sexual e seu ciúmes). Tanto o lixeiro quanto a enguia são partes da personalidade de Yamashita.
Pode-se concluir que é um filme que aborda transtornos psicológicos e psiquiátricos e o quanto a mente está condicionada a criar suas próprias realidades paralelas.
Outros personagens reforçam essa tese central de Imamura, como o jovem que se prepara para receber um disco voador.