Cristianismo: a coroa da filosofia

Quando dizem que o Cristianismo é a coroação da filosofia não necessariamente o fazem por motivação religiosa.
Talvez, até um agnóstico inteligente poderia fazer essa afirmação.
O que Santo Agostinho descobriu (talvez por acidente) é que no sacramento da confissão, no exame de consciência, na perspectiva da mudança interior que é exigida na conversão ao Cristianismo, reside um método supremo de ver o mundo por debaixo das aparências.
A vigilância interior leva o homem a tomar consciência de si e, tomando consciência de si, toma maior consciência da realidade exterior.
É uma sinceridade interior muito maior que Sócrates, Platão, Aristóteles ou os estóicos exigiam e que resulta num exame da realidade muito mais sofisticado também.
O Cristianismo, com a idéia do pecado (não apenas em palavras, mas em pensamentos; não apenas em atos, mas em omissões) alerta sempre a possibilidade do auto-engano, dentro do conforto de nossas cabeças.
O Cristianismo, ainda, não diz que dentro de nossas intimidades possuímos uma total privacidade. Acreditamos que há um Deus nos olhando em segredo.
Isso exige de nós que não apenas nossas ações pareçam verdadeiras, mas sejam de fato. Pois prestaremos conta disso.
Não é raro descobrir que as neuroses filosóficas posteriores ao advento do Cristianismo são elaborações que, muitas vezes, estão respondidas de uma forma simplificada e até rudimentar em uma daquelas parábolas ou situações vividas no evangelho.
Passou 2 mil anos e a sensação ainda é de que não conhecemos direito nem 10% daquilo que nos foi revelado.
