Depressão no clero e como lidar

A ocupação clerical é uma combinação única de vocação, chamado do Alto e papel social.

Poucas vezes nos preocupamos com a saúde mental de um padre, devido a certos preconceitos.

Há uma pesquisa nos EUA feita entre líderes da Igreja Metodista Unida, Igreja Batista, Igreja Pentecostal, Igreja Luterana, Igreja Presbiteriana, Igreja Episcopal Anglicana e Igreja Católica Romana sobre a depressão de padres e pastores.

Uma consideração importante: O perfil dos pesquisados são brancos (90,9%), casados (86,7%) — o que sugere que a amostragem de católicos (que são celibatários) foi bem pequena, segurados (99,1%) e com idade de 52,3 anos.

Apesar de ser católico e a amostragem de católicos na pesquisa ter sido pequena, algumas responsabilidades são compartilhadas entre esses líderes e podem revelar muita coisa.

As pesquisas demonstram um significativo índice de depressão em líderes religiosos em relação a população geral — 8,7% contra 5,5% da média nacional.

As hipóteses para explicar isso são muitas, mas todas sugerem uma complexa teia de exigências intrínsecas e extrínsicas, responsabilidades internas e externas — que complementam a culpa (seja ela religiosamente justificável ou não).

Muitos piscicólogos se ocuparam da saúde mental de vários trabalhadores durante muitos anos, mas poucos deram atenção a saúde mental do clero que, por mais que não pareça, são um dos maiores grupos ocupacionais em qualquer país.

O clero também trabalha sob um conjunto interessante de circunstâncias, o que é indiscutivelmente único em sua combinação de responsabilidades.

São várias vidas tuteladas. Inclusive a própria.

A maior responsabilidade envolve um chamado de Deus — que coloca tudo numa perspectiva de propósito superior. Outra, vem com o desenvolvimento de características de liderança — e tudo o que isso lhe acarreta.

Há, também, uma grande expectativa (alimentada tanto pela própria comunidade paroquial, quanto por seus pares) — de que o padre (ou o pastor) seja uma pessoa sem fraquezas e praticamente invencível. Capaz de dar sempre as melhores homilias, as melhores respostas na confissão. Uma responsabilidade descomunal — que não estamos acostumados.

Estimulação contraditória

O aspecto ritualista da vida de um padre incluem administrar sacramentos como missas e batismos. Dentro desses papeis ritualistas, estão rotineiramente presentes dois dos eventos pessoalmente muito significativos para as pessoas em geral: como casamentos e funerais.

Nas pesquisas feitas, há uma estranha estimulação contraditória de eventos extremamente positivos e extremamente negativos na vida de um padre ou pastor.

Basicamente nós, leigos, nos ocupamos de coisas pouco importantes ou ordinárias durante a maior parte de nossa vida, enquanto os eventos sublimes (casamento) ou trágicos (morte) são, por definição extraordinários.

Os padres e pastores se ocupam com muito mais frequência do que nós dos eventos extraordinários da vida: do prelúdio de uma família até o funeral de um ente querido. Padres católicos, ainda, testemunham de perto o momento derradeiro da passagem da vida para a morte — na execução do sacramento da extrema-unção.

Outro aspecto é a aproximação que o clero tem com os paroquianos — especialmente nos universo dos problemas destes, nos momentos de confissão e apoio. O cuidado da vida paroquial também não se limita a cuidar dos paroquianos, mas também da administração da paróquia — o que não deixa o padre ou pastor livre das responsabilidades financeiras que todos nós temos.

Teoria do desequilíbrio do esforço-recompensa

Muitas teorias delineiam a saúde de uma profissão na relação entre esforço e recompensa.

A teoria do desequilíbrio do esforço-recompensa proposto por Johannes Siegrist é uma delas. A teoria diz que grande esforço combinado com pouca recompensa é prejudicial a saúde mental.

Os estressores especificos definidos por Siegrist estão nas relações entre demandas intrinsecas e demandas extrinsecas e na ausência de recompensas.

Exemplos de exigências extrínsecas elevadas incluem uma alta carga de trabalho sem recursos suficientes para fazer, uma alta responsabilidade e conflitos de funções estruturais. Exemplos de altas exigências intrínsecas incluem “vigor” (um intenso empenho no trabalho, impulsionado pelo pensamento perfeccionista); uma incapacidade de se afastar das responsabilidades do trabalho; e “imersão” (uma combinação de necessidade de aprovação e competitividade) (Siegrist e Matschinger, 1989).

Exemplos de recompensas incluem dinheiro, aprovação e controle de status.

Nós podemos aplicar a teoria do desequilíbrio esforço-recompensa para o clero. Além das demandas extrinsecas, há as demandas intrinsecas atuando fortemente na sua vida. As demandas extrinsecas do padre ou pastor é o cuidado e a responsabilidade com sua paróquia e seus paroquianos — elevar altas exigências intrínsecas que os líderes colocam sobre si mesmos — com uma exigências e culpas injustificadas por “não fazer o suficiente”.

Isolamento e abandono

Cuidar do padre da sua paróquia como um filho cuida de um pai deveria ser um dever óbvio. Engana-se que padres não tem família — sua vocação paternal é ainda mais complexa e profunda que qualquer pai.

Um padre que é abandonado por seus paroquianos sente tanto quanto um pai é abandonado por seus filhos num asilo.

Padres sentem-se sozinhos?

O sentido original do grego pará-oikía ou paroikia é “residência secundária” — isto é, é a segunda casa do fiel cristão nesse mundo — quando a paróquia é abandonada, não há o que possa se configurar ali um lar.

A realidade de igrejas quase vazias e a figura do pároco constantemente desgastada e ridicularizada — sem tem alguém que os defenda, é cada vez mais comum.

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