Inexplicável

Texto de agosto de 2018 — Retorno

Logo eu que tanto amo escrever, que tanto amo manifestar minha opinião e que tanto gosto de falar, fiquei tanto tempo longe do papel e da caneta, ou no caso, do teclado.

No primeiro texto que escrevi falei sobre a arte da procrastinação, eu já me conhecia, tinha certeza que em algum momento eu iria desistir, postergar ou trocar o interesse, isso era mais certo do que o mau humor em uma segunda-feira pela manhã.

Contudo, esses “logo eu”, “eu já me conhecia” não são uma máxima. Sempre tive minhas convicções nos mais diversos assuntos, tendo embasamento para tanto ou não, mas minha opinião eu preservava, tava ali formada ou em formação, pronta para qualquer debate ou troca de ideias.

Mas apesar da opinião formada, a gente nunca pode julgar o outro sem antes passar por situação semelhante. Não se pode julgar uma pessoa sem tentar se colocar no lugar dela ou tentar pelo menos entender o que levou ela a agir daquela forma.

Já julguei muitos amigos, acredito que eles já tenham me julgado também. Mas nesse tipo de situação em que me encontro, nunca achei que fosse estar. Não queria passar por isso, ninguém nunca quer, a solução para o mal estar passar era fácil, lógica e prática. Era simples. Mas nunca é verdadeiramente simples, pelo menos não quando o coração toma conta da cabeça, maldito.

Minha velha mania de me guiar pelo coração, já sabendo dos seus tantos erros, já sabendo do quão quente é o sangue, do quão forte bate esse coração, fazendo de tudo por todos, sem medir as consequências, sem medir as desaventuras, sem me preservar.

Só que fazendo alusão ao Porta dos Fundos, “a vida não é essa porra do seu mundinho cor de rosa”, a vida é assim dura, imprevisível, cheia de mistérios, cheia de dores e amores, e logo eu, que já me conhecia, não esperava.

    Gabriel Winitzky de Freitas

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    Espaço para a Arte da Procrastinação.