pra ver a caravana passar.
Se outrora fora acusado de machista, o jogo parece ter virado. Atual, pontual e fundamental, "As Caravanas", de Chico Buarque, parece ter vindo encomendada para o verão terrorista da guerra 474 x Leblon. Uma letra sofisticada, que dialoga metaforizando o arquétipo social tão e tão deixado de lado quando o tema é a "democrática" praia.
A visceralidade harmônica de Chico parece bater fundo na república aristocrática da Zona Sul, da qual o próprio faz parte, mas parece conseguir o distanciamento necessário para enxergar os ruídos classistas que ficam escondidos sob às égides dos muros.
Provavelmente vão mandar o artista para Paris, acusá-lo de esquerda caviar e todo o script conhecido. Mas o discurso de medo é o mesmo de ódio, cravado indefectivelmente na canção:
"E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria"
Ouça Caravanas: https://www.youtube.com/watch?v=6TtjniGQqAc