Ensaio sobre Karma e Responsabilidade Afetiva
Esse ensaio é para ler ouvindo o último sucesso da Pablo lembrando de todas as vezes que estivemos dos dois lados dessa história.
Uns meses atrás estive em Fortaleza e numa tentativa de arranjar uns contatinhos cearenses abri o Tinder. Passando uns mocinhos pra esquerda e outros bem poucos pra direita acabei parando no perfil do Alex. Alex é o meu Karma original. Foi o primeiro cara que eu dei um perdido na vida e acho que por conta dele até hoje pago meus pecados.
Conheci Alex na primeira vez que vim morar em São Paulo. Até vir para São Paulo tinha aproveitado pouco da minha vida fora do armário. Foi aqui que de fato comecei a conhecer pessoas com mais intensidade. Na época conheci o Alex, no finado Manhunt. Ele era um Advogado, cearense, contador e cantor gospel, que tinha mudado a menos de 1 mês pra São Paulo.
Alex foi a primeira coisa perto de um relacionamento que eu tive. Durante uns 3 meses ficamos juntos. Eu acompanhei ele arranjar um emprego, melhorar de casa, e criar progressivamente mais expectativa sobre o que estava rolando entre a gente. Eu não estava na mesma página. Estava trabalhando como um louco pra AIESEC e saindo para festas todo fim de semana.
Era quase abril e eu estava numa semana apertada por que viajaria pra Estônia e Espanha a trabalho por mais de 15 dias e ele queria (obviamente) me ver antes da viagem. Eu (bem cuzão) desmarquei com ele. Ele ficou puto (com razão) e essa é a história de como conquistei meu primeiro Karma e uma culpa que me assombra até hoje.
Depois disso não falei com o Alex, cheguei a comprar uma plaquinha com o nome dele em Madrid para dar como presente de desculpas, nunca dei pra ele, tenho ela até hoje, como o marco da minha culpa.
Eu na época nunca tinha ouvido o Termo Responsabilidade Afetiva. Mas já tinha lido o pequeno príncipe. Eu sabia sobre o quanto somos responsáveis pelas pessoas que cativamos. Eu não fui com o Alex. O Alex não foi o único, nem o último.
Há menos de 1 mês conheci um cara bem legal em uma balada. A gente ficou, trocou contatos e ele me deixou no ar o dia seguinte inteiro. Seria mais uma história comum, mas ele me ligou no fim do dia pra dizer que ele tava enrolado com outra pessoa e por isso preferia não dar continuidade. Ele foi responsável afetivamente. 1 semana depois ele me escreveu dizendo que não rolou a história e que gostaria de me conhecer. Eu fui até ele, a gente teve uma noite legal, mas eu estava em uma semana bosta e não me envolvi tanto. Marquei de reencontrar e acabei dando um perdido nele. Eu não fui responsável afetivamente. Fui um bosta…
O destino fez questão de provar que o Karma existe, já que essa semana sou eu que tou levando toco de quem eu quero… É foda estar eternamente nesse jogo de irresponsabilidade afetiva.
Uma parte de mim totalmente desacredita nessa história de karma, outra se pergunta por que eu não ligo para todos os caras que eu fui cuzão e peço desculpa. Eles provavelmente devem ter mais que me superado, mas sei que, como é para mim, seria ótimo para eles ouvir do FDP que deixou eles no ar, mesmo que a anos atrás, que ele foi um idiota.
Poderia ter feito isso com o Alex, e quem sabe me livrar do meu karma original, mas no final mandei ele pra esquerda (e quem sabe se ele não tinha feito o mesmo comigo)… Não é fácil fazer o certo né?

