O mamulengueiro potiguar e a arte que ganhou o mundo

Foto: Gabriela Cavalcante

De uma casa simples no interior do Rio Grande do Norte, a arte do mamulengo ganhou o mundo através de um menino Francisco, que por opção virou Raul. Menino esse que fez da arte aprendida com o avô seu próprio sobrenome. Francisco de Assis Gomez, mais conhecido como “Raul do Mamulengo”, está em um dos estandes da Vila Cultural na Cientec 2015, vendendo seus tradicionais bonecos de mamulengo, mas também contando histórias.

Raul conta que nasceu em São Tomé, no interior do Rio Grande do Norte, e aprendeu a fazer os bonecos com o avô, ainda na juventude. Hoje, aos 61 anos, o funcionário público aposentado é feliz com a sua ocupação no artesanato: “Nunca fiz escola de pintura e hoje eu tenho o meu trabalho”, declara.

O mamulengueiro diz, orgulhoso, que tem seus bonecos em vários estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia e Minas Gerais, além do Distrito Federal. Como se isso não bastasse, Raul resgata da memória que artistas de diferentes nacionalidades compraram seus “filhos” para levar para o Uruguai, Chile, México, França e muitos outros. “Sou um matuto de memória boa”, brinca.

O artista menciona, ainda, que seus bonecos não são importantes apenas no Rio Grande do Norte, mas também no Brasil e no mundo. E tem razão, já que, em março de 2015, o teatro de bonecos de mamulengo foi reconhecido como Patrimônio Cultural em nosso país.

Raul afirma que agora — após aposentadoria — é que se sente trabalhando de verdade. Além de expor sua arte na UFRN, o mamulengueiro viaja pelo estado em que nasceu, ministrando oficinas e palestras, e ensinando outros artistas a fazerem os bonecos.

Hoje, vendo a importância do que faz, Raul consegue definir-se. “Sou um menino que nasceu no interior e hoje tem o reconhecimento pelo seu trabalho de artesanato”.

Texto postado no site da Agência Fotec em 23/10/2015

Original: http://www.fotec.ufrn.br/notice/196

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