As lindas cagadas da vida

A vida é um oceano de surpresas das quais eu nunca vou deixar de levar um susto. Talvez um sorriso acompanhe, mas a verdade é que às vezes ela dá umas reviravoltas tão absurdas pra chegar onde quer que a única reação que a gente tem é a carinha de “UAU” do Facebook.

A gente reclama disso, faz um furacão daquilo e no fim, nada está dentro do nosso controle. Parece que andamos em um carrinho de mão sem freio, descendo uma rua sem fim, onde aparecem algumas rotas no meio do caminho e você não tem muito tempo pra escolher, porque o carrinho tá andando e você não tem como parar em uma descida sem freio. E quando viramos o carrinho para uma rota alternativa que julgamos ter sido uma péssima ideia, nos odiamos. Ficamos nos perguntando “por quê?”. E esse “por quê” não vem acompanhado de resposta, vem acrescentando mais indagações e xingamentos internos.

Passei um ano complicado da minha vida nos últimos tempos, então ainda é fresco na minha memória — e até um pouco engraçado — as travessuras da corrida. Por meses me sentia perdida, atordoada, com medos sendo alimentados em cima de medos ainda maiores. Uma sensação de impotência e inutilidade. Várias e várias vezes perguntei qual era o meu destino, porque eu não podia ser um pouco mais resolvida em questão do meu futuro? Por que todos sabiam o que queriam estudar e eu mal entendia o que estava acontecendo comigo numa transição louca, dentro de um curso do qual pensava que poderia amar, mas que na verdade passei a ter repulsa.

A verdade é que dentro de toda essa bagunça, foi onde encontrei minhas maiores falhas. E acredite, não é tão fácil assim vê-las, compreende-las, aceita-las e, mais ainda, lidar com cada uma delas. Abdicar de seu ego, aprender a dizer “ok, fui um babaca”, não é uma das melhores coisas que a vida proporciona. Entretanto, garanto-lhes que chorar o leite derramado em cima da merda que tu fizeste não é a melhor solução. Sabe por quê? É meus amigos, o carrinho vai continuar rodando as rodinhas.

Saímos uma rota inteira reclamando da rua esburacada, do carrinho que nem foi escolhido por você, da sua falta de agilidade, como se você tivesse toda essa culpa por não pensar rápido na hora de escolher as rotas.

E o carrinho vai descendo mais rápido, te chacoalhando, o medo vai tomando conta, aparentemente você perdeu o controle de tudo em uma só vez. Então a melhor forma é se encolher dentro do carrinho e esperar ele se espatifar no chão e você sair todo arrebentado. Bom, pelo menos é o que você acredita fiel e piamente que vá acontecer. Mas a verdade é que ele vai andar ainda mais rápido e quando você menos esperar, vai notar que o esforço de ter escolhido aquelas rotas lá trás fez toda diferença.

Vai chegar uma hora que a descida vai acabar, o carrinho vai diminuir a velocidade e quando você se levantar para ver onde foi parar, vai se encontrar em meio a um lugar de paz, com alguns retoques por fazer — mas não importa, pois é o seu melhor lugar, habitando seu melhor sorriso. Todo aquele esforço valeu a pena. Até porque, escolhas e suas consequências são totalmente relativas diante de cada pessoa.

Não se torture por não saber exatamente o que está acontecendo na sua vida, até porque ninguém sabe. Só não deixe de vive-la, de sentir o vento na cara, de aproveitar a caminhada. Não deixe de tomar um banho de chuva, de dançar no meio da rua com seus amigos. Não deixe de cometer erros porque achas que tem a certeza de ser um erro. A verdade é que erros são muito imprevisíveis e completamente surpreendentes. Então apenas siga com o seu carrinho carregando aquilo que tens de mais precioso: o seu melhor sorriso!