“Remover pesquisa”

Gaby Guedes
Jul 22, 2017 · 3 min read

No início foi difícil. Eu tive a leve certeza de que não conseguiria. Contudo, passou-se um, dois, três meses. Os dias foram se enchendo aqui e acolá. A cabeça foi se organizando, arrumando as prioridades, tomando coragem pra parar de colocar os amores num pedestal como forma de tentar parar de pensar nos problemas e assim passar a enfrenta-los e resolve-los.

Por um determinado tempo você foi uma espécie de droga/bebida forte. Me mantinha com as pontas dos pés grudadas nos degraus, mas, ainda que ciente, colocava a maior parte do meu corpo para flutuar entre os devaneios e expectativas criadas, vividas em meio a fantasias e sentidas.

Pois é, o tempo passou. O meu coração mudou. Continuo meio retardada (desta vez demonstro com mais frequência ao mundo, confesso. E isso é bastante lindo, pelo menos pra mim — e, de fato, isso que importa, não é mesmo?). Refiz alguns pensamentos, mudei de lugar algumas ideias e certezas que hoje são incertezas e incertezas que tornaram-se certezas. Beijei os meses passados e decidi dizer adeus.

Adeus faculdade. Adeus pessoas que se fizeram amigas e no final eram apenas passagens necessárias. Adeus medo de se expressar. Adeus meias palavras. Adeus meias verdades. Adeus desamores. Adeus antigo amor. Adeus festa de beijos. Adeus.

Em uma manhã, não muito especial, acordei num pulo e gritei: Olá futura nova faculdade. Olá universos de pessoas desconhecidas. Olá meu EU falante e maluco, cheio de novos desejos. Olá repertório de palavras firmes. Olá sincerícidio, velho amigo, mais maduro e habitual. Olá possibilidades. Olá Oásis. Olá novas experiências. Olá, meu novo mundo!

Hoje, fui na barra de pesquisa. Hoje, escrevi teu nome. Hoje, rolei a barra, esbarrei em algumas fotos, li algumas postagens. Hoje, te vi, de longe, te senti, de longe, te abracei, de longe, te sorri, de tão perto que você provavelmente sentiu longe. Hoje, não precisei ir até o final, tudo o que eu senti foi só uma saudade que não dói mais, uma vontade que já não é mais presente, montou-se como lembrança. Suspirei, de alívio. Não porquê era ruim e sim porquê era preciso e bom. Entretanto, era velho, precisava ser deixado para trás.

Algumas coisas, mesmo que venham para o bem, mesmo que te preencham​ e te tragam​ felicidade por determinado momento, a partir do segundo que se vai, deve-se sentir e deve-se deixar ir. Se voltar bem… e, sinceramente, espero que não volte. Pois, a vida me mostrou uma beleza tão intensa que nunca pensei encontrar e, agora, depois dessa descoberta que se fez minha por alguns meses, assim como ela, devo me deixar ir para um rio de novos infinitos.

Só pra reforçar, estou a me querer e te querer em um mar de felicidade e sinto que a partir disto tudo fluirá: eu me livrei de você, eu voei, do mesmo jeito que você voou. Eu caí, assim como você caiu, em um chão diferente, mas recomecei, me refiz, me senti. Agora sou eterna em uma história que se deu fim, mas que continuou em outros caminhos porquê precisavam seguir o roteiro.

Na barra de pesquisa foi deletada, mas no banco de dados está perdido um “meio amor vivido”, fique tranquilo.

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