RETALHOS

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Ana Teresa Barboza

Se eu fosse um dia o seu olhar

Me veria como sou

Vento

Ou não veria

O que fica velho fica de lado

Menos a borboleta

Porque não nasci borboleta?

Não há angustia é só casca espessa de desassossego

Lavo as maças como quem banha negros em senzalas

Com ardor

Tenho corpo sem freio

E mente com fé

Aorta desfalecida apenas palpita no espelho

Quem sabe a pupila ainda pulsa no reflexo

Quem habita entre mim é o espelho

O desconhecido é o que dentro está

Tristeza sem mim

Tristeza sem versos

Tristeza sem mar

Apenas as costas arranhadas pela tempestade

Ou pelos dragões da madrugada

Ana Teresa Barboza

GH