A Satisfação Do Insulto

Foto “ 014: I like to spell correctly.” por: bronx.

Chega a coçar o canto da boca quando a sinceridade ofensiva quer sair como um vômito de palavras desnecessárias. No meio caso, a coceira vira sorriso nos lábios, tom agudo e extremo uso de palavras passivo-agressivas e diminutivos inexistentes.

Com o passar do tempo a gente vai aprimorando essas manipulações da língua, criando um WikiHow próprio de como ser extremamente babaca de forma sutil e incensurável. De repente o “você é um inútil” vira “eu sei que mesmo ficando em casa o dia inteiro, você deve ter muito o que fazer” seguido do sorriso. Aquele sorriso.

A língua entra em festa quando, depois de ver a pessoa descontroladamente me ofendendo, posso sorrir novamente e “você agiu muito bem para alguém com o seu nível de educação”. São só vitórias, das poucas que a gente pode ter quando tem pelo menos umas 500 inconveniências por dia.

Tem inúmeras pessoas que chamam isso de distúrbio, e talvez até seja… Consigo me ver beirando um nível não-saudável de psicopatia quando esse tipo de coisa acontece, o formigamento daquele bem estar que só um bom tapa na cara oral pode te dar, mas que atire a primeira ofensa quem não sente o mesmo.

Os mais iludidos culpam tal traço — quase geral — no zodíaco. “Se você nasceu entre 20 de outubro e 6 de dezembro tem tendência a sinceridade extrema”, eu chamo esses argumentos de canalhice. É mais fácil do que assumir esse pouquinho de podridão que beira o seu ser, mas sempre precisaremos de desculpas para esse tipo de coisa. Ninguém gosta de feder.

A minha desculpa é ainda mais canalha; “eu só trabalho com a verdade” é tão preguiçoso que irrita mais do que qualquer frase que venha seguida do meu sorriso. Daquele sorriso.

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