Desculpe o Incômodo, Preciso Falar de Fernando

Nossa história começou bem antes da sua campanha na eleição passada. Estava em um congresso de alguma coisa relacionada à educação, não me lembro direito, e ele era Ministro da Educação; sua proposta do novo ENEM era revolucionária.

Quando ele se candidatou à prefeitura de São Paulo meu coração se encheu de esperança, hoje consigo entender que ele foi pra mim o que o Lula tinha sido para minha mãe anos atrás, alguém que poderia resolver o que não tinha solução.

Votei, fiz campanha, fiz textos… Fiz o que estava ao meu alcance e, acredito, não estava sozinha. Foi de pouquinho em pouquinho que ele subiu, um pouco também pelo medo das pessoas de ter Russomanno na prefeitura [soa familiar?] e lá estava o azarão Haddad no segundo turno.

Quando ele se elegeu fiquei feliz, mas a felicidade não durou muito. Pouco tempo depois o gigante meio bêbado que tinha acordado foi pras ruas e propôs uma discussão mais do que válida, necessária, sobre o lucro das empresas que cuidam do transporte “público” da cidade. Sua proximidade com as posições e decisões de Alckmin me acenderam uma luz vermelha. Será que eu fui enganada com a pose de político “jovem e inovador”?

Não concordei com muitas medidas de Fernando, com o jeito que a GCM tratou as pessoas em situação de rua no frio, com muitas colocações que ele teve durante sua gestão que o afastavam da esquerda que tanto me agrada.

Essa aliança com Chalita é nojenta, me dá náuseas, ainda mais vindo de um cara que foi um dos melhores Ministros da Educação dos governos do PT.

O que farei domingo? Votarei em Fernando.

No começo da corrida eleitoral meu voto era de Erundina, sou sempre por ela, uma mulher lúcida, competente e que se mantém jovem no alto dos seus 81 anos. Ivan Valente é outro cara que eu admiro, nunca fiquei sem resposta quando, ao exercer meu dever de eleitora, cobrei ele em relação a projetos na câmara.

Porém, novamente há um Russomanno entre nós, e pior há uma Marta e um Dória trabalhador também. Fernando hoje me ganha com muito menos esperança ou paixão. Hoje é um voto amargo, daqueles que eu não quero dar.

A minha vontade era que Domingo ainda estivesse longe. Bem longe.