Ninguém Aguenta Mais a Vênus Prateada

Somos Todos Olímpicos?

Quando anunciaram a Rede Globo como emissora licenciada para a transmissão da Rio 2016 um pensamento era comum: vai dar merda.

E deu.

Não foram poucas as tortas de climão e gafes cometidas pela emissora que mostra cada vez mais que não consegue se comportar como representante do país em competições mundiais. Chegava a apertar o coração de pura vergonha de algumas narrações de jogos e competições.

Começando pela abertura que foi aquele show de constrangimento com as palmas dentro do estúdio tentando abafar as vaias e gritos contra o Temer e, logo depois, a “entrevista” do Waack com a Anitta claramente gerando um desconforto desnecessário com a cantora.

O mesmo William Waack que resolveu lavar a roupa suja com sua colega temporária de jornal, transformando a experiência de quem assiste ao Jornal da Globo algo que dá aquela embrulhada no estômago.

Mas até aí só é afetado quem assiste a emissora e vida que segue. Mas, e quando a gente passa vergonha por tabela por causa do Galvão?

“O comentarista perto de mim precisa calar a boca na hora da largada. [risos] Desculpem, todo mundo aqui está quieto, a árbitra agiu corretamente, sabe”

O que este vídeo acima demonstra? Falta de preparo. Se você é um narrador ou apresentador de um gênero de programa ou esporte X e vai acabar indo para outro ambiente precisa estudar. É de uma arrogância imensa pensar que podemos tratar todos os esportes como o futebol.

Galvão aliás quem também nos rendeu inúmeros momentos igualmente hilários e dignos de vergonha alheia. Por exemplo, quando ele pediu para um cadeirante ficar de pé para o hino da Jamaica.

Sem contar o desconforto com Tande, ex-jogador de vôlei, que aconteceu durante a conquista do ouro na modalidade de praia. Para quem não viu, ele afirmou com todas as letras que Tande não jogava bem no vôlei de praia e o atleta fez questão de “lembrá-lo” que foi campeão mundial em 2001.

Ainda dentro da Rede Globo, mas agora falando da Globosat, lembro do término de um dos jogos da campanha vitoriosa do vôlei masculino que, ao esperar um pouco pelo término de uma entrevista do Bernardinho à uma rede de TV americana, um repórter da SporTV fala: “Estamos esperando o Bernardinho aqui porque parece que a mídia internacional tem prioridade aqui”.

Ou na mesma SporTV quando foram entrevista Flávia Saraiva após ficar em 5º lugar na final da trave tratando como se tivesse sido uma falha e ela, uma menina de 16 anos, teve que lembrar ao repórter que era a quinta melhor atleta do mundo no aparelho. Como diria Sandra, que deselegante!

Muitos atletas, inclusive o Serginho, falaram para os jornalistas de outras emissoras — como a ESPN — que eles deveriam estar lá, pois sempre estavam acompanhando a modalidade. O desconforto dos atletas com a Rede Globo também era generalizado.

A grande realidade eu já tinha ouvido em uma palestra que assisti do Alex Tseng em 2010: a Globo é alguma coisa no Brasil. SÓ no Brasil.

Fora do país é só mais uma emissorazinha X de um país Y, é considerada isso porque age como tal, não prepara seus repórteres, âncoras, apresentadores ou narradores para contextos como as Olimpíadas. E a Vênus Prateada só deixou essa fraqueza cada vez mais exposta nesta RIO 2016.

E que venham os próximos eventos.