É tudo uma questão de perspectiva, eles dizem.

Foram meses tentando explicar as vantagens, as qualidades, os benefícios. Ninguém via, além de mim.

Eu estava lá. Fazia uma ode, um tratado, poemas em versos decassílabos e rimas ricas para tentar fazer os outros verem o que somente eu via.

Se fosse minha melhor amiga contando essa história, eu desacreditaria. Faria críticas, tentaria internação compulsória. Onde já se viu ver qualidades em um montante de merda que aparece em sua porta?

A revolta seria imensa. Convocaria uma cúpula de amigos. Faríamos uma intervenção. Dramin na mão e Rivotril na seringa. Algo está errado com essa menina.

Mas era eu.

Eu sou a mosca que se atrai pela luz, a mesma que me queima e me mata. Encantada por um brilho falso, que se apaga instantaneamente ao toque de um botão. Frágil. Indefesa. Inconstante.

Caída e esturricada, olho pra luz que me queimou. Por que eu me deixei flutuar outra vez? Vi isso acontecer antes e antes e antes. Vivo no looping eterno de brilhos falsos. A ideia de que lá está o que eu mais quero. O brilho eterno de uma mente sem lembranças.

Like what you read? Give Gabriela a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.